INVESTIGAÇÃO
José Clóvis de Barros Cunha, de 84 anos, foi encontrado com lesões na cabeça e sinais de asfixia
Gritos e barulhos de pancadas foram ouvidos por uma moradora de um edifício na Rua Durval Guimarães, no bairro da Ponta Verde, em Maceió, pouco antes de José Clóvis de Barros Cunha, de 84 anos, ser encontrado morto dentro do próprio apartamento, na madrugada do sábado (31). O filho dele, Wendell Martins Pimentel Cunha, foi preso suspeito de envolvimento no homicídio. Segundo os primeiros levantamentos da investigação, pai e filho tinham uma relação conturbada, marcada por discussões frequentes.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!
De acordo com os depoimentos reunidos no inquérito inicial, moradores procuraram a portaria do prédio por volta das 00h41 para relatar que ouviam um homem gritando e barulhos de pancadas no apartamento vizinho. Informaram ainda que os ruídos já aconteciam havia algum tempo.
Leia também
O porteiro comunicou a situação à companheira do idoso que não morava com ele. Ela tentou telefonar para a vítima, mas não conseguiu contato. Pouco depois, a mulher foi ao apartamento acompanhada da filha e encontrou José Clóvis caído, aparentemente sem vida. Na ocasião, Wendell Martins ainda estava no apartamento.
Conforme o depoimento da companheira do idoso em depoimento à polícia, ele apresentava comportamento calmo, diferente da agressividade que teria demonstrado durante a tarde.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado às 1h09, e a equipe constatou a morte do morador.
Conflitos familiares
Os depoimentos indicam que os desentendimentos entre pai e filho já vinham ocorrendo antes da morte. Wendell havia se mudado para o apartamento do idoso aproximadamente uma semana antes do crime. A companheira da vítima relatou à polícia que a convivência era marcada por discussões e agressões verbais atribuídas ao filho.
Ainda segundo o relato da mulher, José Clóvis não queria continuar morando com o filho e havia manifestado, no próprio dia do crime, a intenção de pedir que ele deixasse o imóvel.
Ainda conforme o depoimento à polícia, na tarde de sexta-feira (30), por volta das 15h, Wendell teria apresentado comportamento agressivo e sinais de embriaguez. Na ocasião, teria dito que iria matar algumas pessoas, sem especificar a quem se referia. Mais tarde, por volta das 17h, teria retornado ao apartamento com uma caixa de cerveja e afirmado que havia conseguido as bebidas porque teria matado uma pessoa. A testemunha disse não saber se a declaração era verdadeira.
As discussões teriam continuado dentro do apartamento. Por volta das 18h, o filho ainda teria forçado o portão de entrada do edifício, provocando danos ao equipamento.
Perícia
A avaliação preliminar realizada no apartamento identificou lesões externas no corpo de José Clóvis, entre elas uma equimose na região direita do rosto, uma escoriação na parte interna do braço direito e três lesões contusas na cabeça — duas na região posterior e uma na área entre as regiões parietais.
Segundo a perícia, as lesões apresentavam características de terem sido produzidas por instrumento contundente. A perícia afastou a hipótese de suicídio e considerou pouco provável a possibilidade de morte acidental. O homicídio foi apontado como a hipótese mais provável.
A investigação também considera os relatos sobre os barulhos ouvidos pelos vizinhos e os conflitos anteriores entre pai e filho. A relação entre esses elementos e as lesões identificadas, assim como a dinâmica da morte e a autoria, ainda precisa ser esclarecida.
Histórico policial
As consultas realizadas pela Polícia Civil aos sistemas de registros policiais não apontaram antecedentes criminais em nome da vítima. Foram encontrados, porém, boletins de ocorrência nos quais José Clóvis aparecia como vítima de estelionato.
Em relação a Wendell, foram localizados registros de ocorrências por furto, incluindo um caso de furto qualificado, além de um inquérito relacionado à violência doméstica, no qual ele figura como suspeito e a companheira como vítima. Esses registros não representam, por si só, condenações criminais.
Wendell Martins foi conduzido à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa e preso em flagrante. Em audiência de custódia realizada no sábado, dia 1º de novembro, a Justiça decretou a prisão preventiva do homem. A investigação deve aprofundar as circunstâncias da morte de José Clóvis.




