O segundo dia de julgamento do desaparecimento de Davi da Silva, ocorrido em 2014 após uma abordagem policial no Benedito Bentes, foi marcado nesta terça-feira (5) por fortes emoções, confrontos diretos entre acusação e defesa e momentos de tensão dentro do plenário. Ao longo da sessão, um dos pontos centrais levantados pelo Ministério Público foi a comparação direta com o caso do goleiro Bruno, em que a vítima Eliza Samudio nunca teve o corpo encontrado.
Iniciado na segunda-feira (4), o júri foi retomado pela manhã após suspensão e deve ser concluído ainda nesta noite. Sentam no banco dos réus Nayara Silva de Andrade, Victor Rafael Martins da Silva, Eudecir Gomes de Lima e Carlos Eduardo Ferreira dos Santos, denunciados por tortura, sequestro, cárcere privado, homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
Logo no início, o promotor Thiago Riff tentou antecipar a principal linha da defesa: a ausência do corpo de Davi. Em tom direto, ele rebateu a ideia de que isso significaria falta de crime. “Quando não há corpo, dizem que a pessoa pode estar viva. Mas não sejamos ingênuos”, afirmou, lembrando que a família já não acredita no retorno de Davi com vida há anos.
Para sustentar a tese, o promotor citou o caso do goleiro Bruno, condenado pelo assassinato de Eliza Samudio mesmo sem a localização do corpo. Segundo ele, a Justiça brasileira já firmou entendimento de que a materialidade do crime pode ser comprovada por um conjunto de provas, e não apenas pela existência do cadáver. “Essa será a tese da defesa: que não há corpos, não há materialidade. Mas temos no país casos parecidos, como do goleiro Bruno e outros três”, reforçou.
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