MODELO DE SUCESSO
Executivo alagoano explicou como experiências imersivas aproximaram a liga do público brasileiro
O vice-presidente executivo da NBA na América Latina e no Canadá, Arnon de Mello, foi entrevistado pelo programa Dentro da Arena, do canal Terra. Convidado, há 14 anos, para expandir os negócios da principal liga de basquete do mundo no Brasil, o executivo alagoano contou como foi o trabalho para tornar a competição ainda mais popular no país.
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“Quatro anos antes das Olimpíadas de Londres, eles abriram o escritório da NBA em Londres. Olhando para o próximo ciclo, que seria no Rio de Janeiro, decidiram abrir o escritório aqui no Brasil. Em 2012, me contrataram para ser essa pessoa e abrir o escritório da NBA no Brasil. Aqui, a gente não tem uma liga profissional de basquete. Somos uma empresa muito mais de mídia e entretenimento. O que fazemos é olhar para os direitos de mídia, direitos de conteúdo, licenciamento dos nossos produtos, eventos e parcerias que temos”, afirmou.
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Contrastes
Arnon de Mello comparou a visão de mercado existente no basquete com a realidade do futebol brasileiro. Na avaliação do gestor, é necessário haver uma unidade no modelo de negócio para tornar a liga mais valiosa.
O executivo citou o sistema de franquias da NBA, o valor de mercado e o retorno financeiro que movimentam a estrutura e tornam a liga cada vez mais lucrativa. Também comparou o modelo norte-americano aos diferentes formatos de clubes existentes no Brasil, embora reconheça uma evolução que pode apresentar resultados positivos.
“Isso me ajudou muito a dar valor ao que tenho e vejo hoje do lado da NBA, que é realmente muito diferente. Muita coisa mudou. Vejo que o futebol está mudando no Brasil. Espero que a gente tenha uma liga unificada. Tenho certeza de que isso vai destravar muito do valor que está represado no futebol. A gente tem dificuldade de ter um sistema que não é unificado. Tem as SAFs, times associativos, clubes, uma porção de entidades que fazem disso um pouco de Frankenstein. Acho que os clubes vão ter que se resolver para transformar a liga no modelo que dá mais certo no mundo, que é o americano”, explicou.
Experiência no CSA
Arnon foi presidente do CSA entre 1999 e 2001. No comando do Azulão, conquistou o vice-campeonato da Copa Conmebol em 1999, mas também acompanhou mudanças no futebol brasileiro, como a disputa da Copa João Havelange, em 2000.
Sobre a possibilidade de retornar ao futebol, destacou que trabalhar com o esporte mais popular do Brasil exige muita energia e disse não se ver com a mesma disposição para exercer essas funções novamente.
“Essa experiência no futebol, os dois anos no CSA, na minha época, também era uma confusão danada. Foi o início da Copa do Nordeste e fomos o primeiro time do Nordeste a disputar uma competição internacional, que foi a Copa Conmebol. Chegamos lá porque era o último ano da Copa Conmebol e não havia premiação. Tínhamos sido quarto lugar na Copa do Nordeste. Chegamos à final e perdemos para o Talleres, da Argentina. Ganhamos em Maceió e perdemos lá. Foi uma época muito boa para aprender e entender o que é o futebol raiz no Brasil. A lembrança que trago é de muito carinho daquela época. O futebol ainda é difícil. Não sei se teria energia para voltar ao futebol”, comentou.
Recepção inicial
Arnon explicou as dificuldades encontradas ao assumir a missão de liderar o projeto da NBA no Brasil. Ao mesmo tempo, afirmou que, apesar dos desafios, as portas sempre estiveram abertas, embora a reação inicial não tenha sido de grande interesse.
“Quando a gente iniciou, não tinha um produto licenciado no Brasil, por exemplo. Eu me lembro dos primeiros anos. Sempre batia à porta dos patrocinadores e dos potenciais parceiros de mídia, e eu nunca tive uma porta fechada. Sempre tive a porta aberta e uma conversa. Todo mundo tinha curiosidade para entender o que era a NBA, mas não era relevante. A gente precisava de muito mais do que o jogo, precisava da exposição nos programas esportivos”, disse.
Segundo Arnon, essa realidade mudou com o surgimento e a popularização de novas tecnologias, colocando o Brasil entre os maiores mercados consumidores da NBA fora dos Estados Unidos.
“É uma nova realidade 14 anos depois. A TV aberta continua importante, a TV paga é importante, mas a gente cresce mesmo é no streaming”, afirmou.
Outro ponto destacado pelo executivo foi a comercialização de produtos licenciados. Existem diversas lojas da NBA espalhadas pelo Brasil, que fazem sucesso e ajudam a fortalecer a cultura criada pela liga no país.
“Tem todo esse consumo aqui no Brasil. Tem muitas lojas e um portfólio de produtos que só cresce. Isso se dá pela estratégia que a gente tomou lá atrás. Nos Estados Unidos, a NBA tem duas lojas. A gente tem 30 lojas no Brasil. São muito importantes para ser um ponto de contato com o nosso fã”, explicou.
Pertencimento
O executivo afirmou que a sensação de pertencimento e a relação de grandes atletas brasileiros com personagens do basquete produzem consequências positivas e ajudam a criar tendências.
“Ele [o brasileiro] é fã do time e também pelo que é a moda. Tem tudo no meio do caminho. As marcas dos times mais relevantes vão ser mais importantes, porque tem o aspecto dos torcedores que querem comprar os produtos do seu time”, falou.
Em momentos decisivos da temporada, a NBA House recebe grandes eventos, proporcionando uma experiência para pessoas de todas as idades. Além de acompanhar os jogos, o público pode adquirir produtos, interagir com novas tecnologias e vivenciar uma experiência inspirada no que ocorre em um ginásio nos Estados Unidos.
Arnon detalhou que a procura por esse tipo de experiência foi intensificada após a pandemia de Covid-19 e afirmou que o retorno tem sido positivo para todos os envolvidos.
“Depois da pandemia, as pessoas querem estar juntas, comemorar, compartilhar as mesmas paixões. Nossos parceiros adoram, nossos fãs mais ainda”, disse.
Modelo de negócio
Arnon revelou que o primeiro objetivo ao assumir as funções na NBA era trazer jogos para o Brasil. Porém, uma conversa com gestores da liga norte-americana mostrou uma diferença importante na visão de negócios.
Segundo ele, nos Estados Unidos, os jogadores são considerados muito importantes e decisivos, mas a compreensão é de que são passageiros, enquanto a marca permanece, independentemente de quem atue nas franquias. Para Arnon, essa é uma das chaves do sucesso do modelo norte-americano de gestão esportiva.
“Na minha primeira grande lição, quando cheguei à NBA, me chamaram de forma muito carinhosa e falaram: ‘Aqui não é uma liga dos jogadores. Os jogadores são os atores mais importantes, com certeza, mas jogadores chegam e vão embora. O que fica são os times e a marca da NBA’. Isso não é por acaso. Não é porque a marca é mais bonita ou mais feia, mas porque ela é trabalhada dessa forma há décadas, há quase 80 anos”, explicou.
Com a responsabilidade de desenvolver a liga também no Canadá, Arnon de Mello explicou que Brasil, México e Canadá estão entre os principais mercados da NBA fora dos Estados Unidos. Ele também detalhou os próximos objetivos da liga para ampliar ainda mais seu alcance global.
“A gente tem estratégias diferentes. Estamos presentes com os nossos parceiros de mídia e licenciamento. Essa é a grande sacada da NBA. Para crescer, precisa ter um time local. Temos mais de 15 escritórios ao redor do mundo. Nos últimos três anos, lançamos a liga na África e, provavelmente, na Europa daqui a um ou dois anos”, concluiu.



