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Asplana evita queda do ATR em três usinas de AL: “Queremos mais”


Edgar Filho avalia que mais usinas podem manter mix do ATR de setembro, beneficiando o produtor de cana em Alagoas. Reprodução Youtube

Três usinas de Alagoas – Serra Grande, Utinga Leão e Pindorama -, decidiram manter para seus fornecedores de cana o mesmo mix de ATR praticado em setembro deste ano, evitando o impacto imediato da queda de 7,5% registrada em outubro. A decisão saiu após negociações com a Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas (Asplana).

A manutenção representa alívio em um dos períodos de maior entrega de cana pelos produtores às unidades industriais. O preço líquido do Açúcar Total Recuperável (ATR) caiu para R$ 1,1644 por quilo em outubro, segundo o Consecana-AL/SE, frustrando a expectativa de recuperação depois de uma safra marcada por perdas agrícolas e redução de renda.

Em entrevista ao Blog do Edivaldo Júnior, o presidente da Asplana, Edgar Filho, explicou que a entidade procurou as usinas para negociar a manutenção da remuneração anterior, evitando que a redução anunciada pelo Consecana fosse integralmente repassada aos produtores neste momento.

“Conseguimos que fosse mantido o preço do ATR, o mix do mês passado, para minimizar as perdas dos fornecedores de cana, que já estão recebendo um preço muito baixo pela matéria-prima”, afirmou.

Usinas atendem pedido

A primeira unidade a atender à solicitação foi a Serra Grande, em São José da Laje. Em seguida, a Utinga Leão, de Rio Largo, também anunciou a manutenção do mix anterior. A Cooperativa Pindorama, em Coruripe, ampliou o número de unidades que aceitaram a proposta da Asplana.

Edgar Filho destacou a disposição das empresas em reduzir o impacto financeiro para os fornecedores. “Quero agradecer às usinas Serra Grande, Utinga e Pindorama. São empresas que entenderam as dificuldades dos produtores e aceitaram nosso pedido”, afirmou.

A Asplana também destacou a participação de Eduardo Monteiro, da Utinga, e de Klécio Santos, presidente da Cooperativa Pindorama, nas negociações.

Asplana quer ampliar acordo

A entidade pretende ampliar o entendimento para outras usinas do Estado. Edgar Filho, avalia que a manutenção do ATR de setembro pelas três usinas demonstra que é possível negociar alternativas para reduzir as perdas dos fornecedores.

“Estamos tentando conversar com outras usinas para ver se elas também acompanham essas que deram o exemplo. Nosso esforço é para que mais empresas mantenham o mix anterior, porque o fornecedor é um parceiro importante e precisa de apoio neste momento”, explicou Edgar.

Na safra 2025/2026, a combinação de menor produtividade agrícola e queda dos preços do ATR provocou perdas expressivas no faturamento do segmento. Para Edgar, a nova redução anunciada em outubro agrava as dificuldades de produtores que ainda tentam recuperar sua capacidade de investimento.

“Os preços já estavam muito baixos e essa queda desanima muito o fornecedor em plena moagem. Estamos trabalhando para minimizar essas perdas e garantir condições para que o produtor continue na atividade”, afirmou.

A expectativa da Asplana é que outras unidades industriais adotem medidas semelhantes. “Acredito que as demais empresas terão sensibilidade e adotarão medida semelhante”, aponta.

Diferença pode passar de R$ 12 por tonelada

A manunteção do mix de setembro pode representar diferença no bolso do fornecedor. Com a queda de 7,5% do ATR em outubro, o preço líquido do quilo passou de R$ 1,2592 para R$ 1,1644, redução de R$ 0,0948.

Considerando a cana-padrão de Alagoas, com 114,09 quilos de ATR por tonelada, a diferença chega a R$ 10,82. Mas, para fornecedores que entregam cana com rendimento médio entre 130 e 135 quilos de ATR, o valor preservado pode variar de R$ 12,32 a R$ 12,80 por tonelada.

Na prática, um fornecedor que entregue 1 mil toneladas poderá receber R$ 12 mil a mais; Quem tem 5 mil toneladas de cana com ATR médio de 130 quilos poderá receber cerca de R$ 61,6 mil a mais do que receberia com a aplicação integral do preço de outubro.

O impacto total dependerá do volume de cana entregue pelos fornecedores das três usinas e das condições de pagamento adotadas por cada unidade.



Fonte: Gazetaweb