Cocaína e ouro ilegal impulsionam expansão do PCC e CV na Amazônia | Foto: CNN Brasil
Considerada um dos principais corredores transnacionais de cocaína, a Amazônia também se tornou um importante polo do comércio ilegal de ouro. O PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) ampliaram sua atuação e passaram a reinvestir parte dos lucros obtidos com o tráfico de drogas na extração mineral clandestina. LEIA MAIS NOTÍCIAS…
Considerada um dos principais corredores transnacionais de cocaína, a Amazônia também se tornou um importante polo do comércio ilegal de ouro. O PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) ampliaram sua atuação e passaram a reinvestir parte dos lucros obtidos com o tráfico de drogas na extração mineral clandestina.
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Um relatório divulgado no início de setembro pela Global Initiative mostra que os recursos adquiridos com o tráfico de cocaína é atualmente direcionado ao garimpo ilegal de ouro.
A forte demanda internacional pela commodity, sobretudo na Europa, amplia as oportunidades de lucro e permite usar o recurso extraído para comprar cocaína diretamente de fornecedores nas regiões produtoras.
Por ser um ativo de difícil rastreamento e fácil ocultação, o ouro também pode ser usado para viabilizar transações de drogas em larga escala, como alternativa a pagamentos em dinheiro ou operações por meio de empresas de fachada, sujeitas à fiscalização financeira.
DEMANDA DA COCAÍNA
Cada vez mais mais diversificado, o tráfico regional de cocaína vêm redirecionando carregamentos da droga para o estado brasileiro do Amapá e para a Guiana Francesa, de onde são exportados para a Europa em vez de seguir a rota tradicional pelo curso do rio Amazonas.
A bacia amazônica possui uma vasta rede fluvial que conecta produtores andinos a portos globais. Diante disso, as facções enxergaram o local como um pilar estratégico para o tráfico transnacional de drogas.
O levantamento mostra ainda que as elevadas margens de lucro do comércio de cocaína, impulsionadas pela demanda europeia, contribuíram para o desenvolvimento dessas rotas. De acordo com a pesquisa, o cloridrato de cocaína é adquirido nas regiões produtoras da Colômbia e do Peru por cerca de US$ 1 mil por quilo.
Ao entrar na Amazônia brasileira, o valor sobe para entre US$ 2,5 mil e US$ 3,5 mil por quilo e chega a US$ 4 mil a US$ 5 mil quando a droga deixa a região com destino à Europa.
No mercado europeu, os preços de varejo variam entre € 50 mil e € 70 mil por quilo. A diferença de valores ao longo da cadeia faz do tráfico de cocaína uma importante fonte de receita para os grupos criminosos. Conforme Funari, parte desses recursos vem sendo reinvestida na mineração ilegal de ouro.
LUCRO É REINVESTIDO NA EXTRAÇÃO DE OURO
O documento aponta que mineração passou a andar lado a lado com o tráfico e, atualmente, é classificada como uma das principais atividades das facções na Amazônia.
Na Amazônia brasileira, a extração de ouro é ilegal na origem por ocorrer em terras indígenas ou unidades de preservação ambiental. No entanto, Funari explica que as facções conseguem explorar a área diante das brechas regulatórias que ocorrem na região.
Além disso, a mineração ilegal permite que tanto o PCC quanto o CV lavem os recursos ilícitos obtidos pelo tráfico por meio da exploração e comercialização de uma commodity de alto valor.
O relatório aponta que a atuação no comércio do ouro também permite aos grupos criminosos aproveitar as estruturas logísticas já existentes na Amazônia, como redes de pequenos aviões, pistas clandestinas de pouso e contatos com agentes públicos e privados.
Com o ouro atingindo US$ 5,5 mil por onça em janeiro de 2026, segundo o relatório, a valorização da extração ilegal do ouro pode ampliar os incentivos econômicos para a conexão entre o tráfico de drogas e a mineração ilegal, fortalecendo redes criminosas e os fluxos de mercadorias ilícitas na Amazônia.
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