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Aves necrófagas, como o abutre, removem carcaças, ajudam a conter doenças e mantêm o equilíbrio dos ecossistemas
As aves de rapina costumam chamar atenção pela imponência, pela habilidade de caça e pelo papel como predadoras no topo da cadeia alimentar. Entre elas, os abutres se destacam por se alimentarem de animais mortos, o que muitas vezes leva a uma associação negativa. Ainda assim, é justamente essa característica que os torna essenciais para o equilíbrio do meio ambiente.
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As aves podem facilmente serem confundidas com os urubus — bastante comuns no Brasil. No entanto, apesar da semelhança no hábito alimentar, não se trata do mesmo grupo.
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Os abutres pertencem à família Accipitridae e vivem em regiões da África, Ásia e Europa. Já os urubus fazem parte da família Cathartidae e são exclusivos das Américas. Mesmo com origens distintas, ambos exercem funções semelhantes na natureza.
“Faxineiros” naturais dos ecossistemas
Ao se alimentarem de animais mortos, os abutres desempenham uma função central na cadeia alimentar. Eles aceleram a decomposição e devolvem nutrientes ao ambiente.
“Essas aves se especializaram no consumo de carcaças e atuam como ‘faxineiros’ da natureza, reciclando nutrientes como carbono, nitrogênio e fósforo”, afirma o biólogo Guilherme Bordignon Ceolin, professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
Sem essa ação, a matéria orgânica levaria mais tempo para se decompor, o que afetaria o funcionamento dos ecossistemas.
A remoção rápida de carcaças também tem impacto direto na saúde ambiental. Quando um animal morre, o corpo passa por processos que favorecem a proliferação de microrganismos.
“O consumo rápido desses restos reduz o tempo de exposição no ambiente e diminui as chances de disseminação de agentes infecciosos”, cita o médico veterinário Helton Fernandes dos Santos, também professor da UFSM.
Ao retirar esse material, os abutres reduzem a presença de vetores e o contato de outros animais com possíveis patógenos.
Adaptação permite consumo de carne em decomposição
Uma das características que mais chamam atenção é a capacidade das aves de consumir carne em decomposição sem adoecer com facilidade. Isso acontece graças a adaptações desenvolvidas ao longo da evolução.
“O estômago dos abutres tem um ambiente extremamente ácido, capaz de inativar muitos microrganismos”, afirma Santos. Além disso, o sistema imunológico e a microbiota das aves são adaptados para lidar com a alta carga de bactérias, vírus e toxinas presentes nas carcaças.
O que acontece quando os abutres desaparecem
A redução das populações de abutres tem consequências diretas para o ambiente e para a saúde pública. Sem as aves, a decomposição da matéria orgânica se torna mais lenta.
“Em locais onde há queda dessas populações, a decomposição pode levar até o dobro do tempo”, destaca a professora Eleonora D’Avila Erbesdobler, do curso de medicina veterinária do Centro Universitário Uniceplac, em Brasília.
Nesse cenário, cresce a presença de moscas e outros animais que atuam como transmissores de doenças. Diferente dos abutres, esses vetores não eliminam os patógenos. “A ausência das aves favorece a disseminação de bactérias e aumenta o risco de zoonoses”, explica.
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