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Conectados e sozinhos


Sabemos o que acontece na vida de tantas pessoas, mas, muitas vezes, desconhecemos o que se passa dentro daqueles que estão ao nosso lado

Nunca tivemos tantas formas de nos comunicar. Podemos falar com alguém do outro lado do mundo em segundos, acompanhar a vida de pessoas que estão longe e manter conversas durante todo o dia. Ainda assim, parece que algo essencial tem se perdido no caminho: a capacidade de estarmos verdadeiramente presentes uns na vida dos outros.

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Estamos conectados, mas nem sempre disponíveis. Próximos, mas nem sempre íntimos. Sabemos o que acontece na vida de tantas pessoas, mas, muitas vezes, desconhecemos o que se passa dentro daqueles que estão ao nosso lado.

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Isso acontece dentro das famílias, quando pais e filhos dividem o mesmo espaço, mas pouco compartilham sobre o que sentem. Nos relacionamentos amorosos, quando duas pessoas permanecem juntas, mas deixam de se escutar. Nas amizades, quando a convivência é substituída por mensagens esporádicas e a presença se torna cada vez mais rara.

Não é necessariamente a falta de amor que nos distancia. Às vezes, é a falta de tempo, de escuta, de disponibilidade emocional. É a rotina que nos engole, o orgulho que nos impede de procurar, o medo de demonstrar vulnerabilidade e a ideia de que as pessoas que amamos sempre estarão ali, independentemente de quanto nos ausentamos.

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Acostumamo-nos a responder, mas nem sempre a conversar. A ouvir, mas nem sempre a compreender. A dividir espaços, mas nem sempre a compartilhar a vida.

E, enquanto esperamos que o outro perceba nossas necessidades, muitas vezes também deixamos de perceber as dele.

Talvez estejamos exigindo demais das conexões e oferecendo de menos daquilo que realmente sustenta os vínculos: atenção, cuidado, reciprocidade e presença. Queremos ser lembrados, procurados, compreendidos e acolhidos, mas será que temos feito isso por quem também importa para nós?

As relações humanas não se mantêm apenas porque existe afeto. Elas precisam ser cuidadas. O amor pode existir, mas, sem demonstração, diálogo e disponibilidade, a distância encontra espaço para crescer.

Isso não significa estar disponível o tempo todo, mas compreender que presença não se mede apenas pela proximidade física ou pela frequência das mensagens. Mede-se, também, pela qualidade dos encontros, pela coragem de conversar sobre o que incomoda e pela disposição de enxergar o outro para além daquilo que ele demonstra.

Talvez precisemos reaprender a perguntar e realmente querer ouvir a resposta. A procurar sem esperar sempre a iniciativa do outro. A demonstrar carinho sem achar que as pessoas já sabem o que sentimos. A deixar o celular de lado para olhar nos olhos de quem está diante de nós.

Porque o tempo passa, as fases mudam e as pessoas também. Nem todos os afastamentos acontecem de repente. Alguns começam silenciosamente, nos pequenos encontros adiados, nas conversas que nunca acontecem e nos sentimentos que deixamos para expressar depois.

No fim, a questão não é quantas pessoas conseguimos alcançar, mas quantas relações estamos dispostos a cultivar.

Talvez o que esteja faltando no mundo não seja conexão, mas presença. Não sejam mais formas de falar, mas mais disposição para escutar. Não seja a possibilidade de estar perto, mas a escolha de não permanecer distante de quem amamos.

Porque estar conectado é conseguir chegar até alguém.

Estar verdadeiramente presente é fazer com que esse alguém sinta que não está sozinho.

Por: Carine Castro — Terapeuta Integrativa, especialista em dependência emocional e consteladora sistêmica.

*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.



Fonte: Gazetaweb