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CRB desmonta a melhor defesa e reencontra o caminho em casa


Pedro Castro fez dois na vitória do CRB. (Foto: Francisco Cedrin CRB)

O CRB precisava vencer. Mais do que isso: precisava voltar a se sentir forte dentro do Rei Pelé. A vitória sobre o América, na rodada passada, já tinha trazido alívio na Série B, mas faltava a resposta em casa.

Nos últimos quatro jogos como mandante, o time havia perdido três vezes e vencido apenas o Sousa, pela Copa do Brasil. Contra o Operário, veio a primeira vitória como mandante nesta Série B. E não veio contra qualquer adversário: o time paranaense chegou a Maceió com 12 pontos e a melhor defesa da competição, tendo sofrido apenas três gols em sete jogos.

Sem Danielzinho e Alemão, Eduardo Barroca mexeu sem desmontar. Escalou Crystopher no lugar de Daniel e manteve Henri e Wallace na dupla de zaga. Do outro lado, Luizinho Lopes também olhava para outro compromisso importante, a decisão contra o Fluminense, na terça-feira, e preservou titulares como Miranda, Índio e Pablo. Klaus, Trindade e Caio Dantas começaram jogando.

A bola rolou e o CRB tomou conta do jogo.

CRB venceu a primeira em casa na atual edição da Série B. (Foto: Francisco Cedrin CRB)

Não foi domínio de enfeite, foi domínio com agressividade, presença no campo ofensivo e volume. O Galo neutralizou os pontos fortes do Fantasma e fez o que tantas vezes cobrou de si mesmo: transformou imposição em gol. Desta vez, o gol cedo não foi sofrido, foi marcado.

Pedro Castro recebeu de Patrick De Lucca, girou dentro da área e bateu no canto para fazer 1 a 0. Um gol que mudou o clima, mas não reduziu a intensidade. O CRB continuou em cima, pressionando, circulando a bola, atacando espaço e obrigando o Operário a jogar muito mais perto da própria área do que gostaria.

No segundo gol, Crystopher apareceu como peça importante na construção. Fez grande jogada, encontrou Mikael, que ativou Lucas Lovat pela esquerda. No cruzamento, a disputa na área gerou a sobra, Pedro Castro dominou e bateu forte para ampliar. Dois gols dele, dois golpes em uma defesa que até então era a mais segura da competição.

— Foto: Marcus Vinícius

O primeiro tempo foi um retrato do tamanho da superioridade: 12 finalizações do CRB contra apenas uma do Operário, cinco escanteios contra nenhum. Números não explicam tudo no futebol, mas às vezes gritam. Nesse caso, gritaram alto.

Na volta do intervalo, Luizinho Lopes mexeu três vezes. Neto PB entrou no lugar de Trindade, enquanto o corredor direito foi todo alterado, com Maguinho e Pedro Vilhena nas vagas de Doka e Berto. O Operário voltou mais leve, com maior circulação de bola e tentando respirar no jogo.

Só que o CRB tratou de cortar qualquer tentativa de reação antes que ela virasse problema. Mikael cobrou falta frontal, a bola desviou em Moraes e tirou o goleiro da jogada. 3 a 0. Placar construído com autoridade e administrado com maturidade.

A partir daí, o Galo baixou o bloco, controlou os espaços e protegeu a própria área. O Operário até tentou empurrar o jogo, mas encontrou um CRB mais atento, mais concentrado e com senso de urgência defensivo. A principal chance veio em infiltração de Moraes, defendida por Matheus Albino, que acabou se machucando no lance. No fim, Vitor Caetano entrou e ainda fez duas boas defesas para confirmar a vitória e a baliza zero.

Esse detalhe não é pequeno.

Depois de tantos jogos em que o sistema defensivo foi cobrado, sair de campo sem sofrer gol tinha peso de missão cumprida. Henri, Wallace, laterais, volantes e atacantes que recompuseram fizeram parte de uma resposta coletiva.

A vitória não resolve todos os problemas do CRB. Ninguém sério diria isso. Mas muda o tom da conversa. O time venceu o América fora, bateu o Operário em casa e agora soma duas vitórias seguidas na Série B. Mais importante: voltou a competir com confiança, a atacar com presença e a defender com concentração.

O campeonato continua duro. A tabela ainda cobra. Mas o CRB deu um recado no Rei Pelé: quando junta intensidade, organização e efetividade, deixa de apenas prometer reação e começa a construir uma saída real.

Contra o Operário, o Galo não venceu por acaso. Venceu porque foi melhor. E, numa Série B que não perdoa distração, ser melhor durante 90 minutos já é um excelente começo.

Observação:


Segundo o repórter Iverson Fernandes, do Timaço da Gazeta, o goleiro Matheus Albino preocupa após a lesão. Ele passará por exame e deve consultar um especialista para saber se o caso exigirá ou não procedimento cirúrgico.



Fonte: Gazetaweb