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“Dia deplorável”, diz Marina Silva sobre sessão do STF que julgou Moraes


A ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva classificou como “deplorável” a sessão em que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou o caso envolvendo Alexandre de Moraes. Em entrevista à coluna durante o programa Agora Metrópoles, ela afirmou que as denúncias contra integrantes da Corte são graves e precisam ser investigadas com rigor.

Marina defendeu o afastamento de Moraes para que ele possa responder às acusações fora do exercício da função. Também cobrou explicações do ministro André Mendonça sobre o que considera uma atuação seletiva na divulgação de informações, na retirada de sigilos e nas decisões judiciais relacionadas ao processo sob sua responsabilidade.

A ex-ministra elogiou a atitude de Cármen Lúcia, que pediu desculpas à sociedade durante a sessão. Para Marina, embora não tenha responsabilidade pelos episódios que atingem o Supremo, a ministra agiu em defesa da instituição.

“A mácula de alguns vai para toda a instituição”, afirmou.

Marina avaliou ainda que a crise no STF sequestrou o debate eleitoral e afastou da campanha temas urgentes, como saúde, educação, segurança pública, violência contra a população negra e reformas política e do Judiciário. Pré-candidata ao Senado por São Paulo, ela também falou sobre a disputa entre Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas pelo governo paulista.

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do Metrópoles

Na entrevista, Marina criticou a privatização da Sabesp, a falta de água, a resposta do governo estadual aos eventos climáticos extremos e o aumento da violência contra as mulheres. Também responsabilizou a família Bolsonaro pela articulação do tarifaço dos Estados Unidos, que, segundo ela, retirou cerca de US$ 3 bilhões da economia paulista e atingiu setores importantes do estado.

Coluna — Ontem nós vimos vários homens de toga brigando, digladiando-se, desrespeitando-se e, inclusive, desrespeitando o presidente da Corte. A única ministra mulher hoje no Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, foi a única que pediu desculpas — e, para mim, ela era a única pessoa ali que não deveria pedir desculpa por nada, pelo comportamento que teve nas últimas décadas no STF. Eu queria que a senhora avaliasse a sessão de ontem e esse triste pedido de desculpas de uma ministra que percebeu o quanto a população está decepcionada com tudo isso.

Marina Silva — De fato, ontem foi um dia deplorável no nosso país, porque a Suprema Corte é a última instância em que o cidadão e a cidadã têm a esperança de que todas as injustiças anteriores possam ser reparadas. Quando a gente vê a própria Suprema Corte com membros envolvidos em graves episódios que caracterizam a possibilidade de crime de responsabilidade, posturas de dois pesos e duas medidas e processos seletivos para aquilo que se torna público e aquilo sobre o qual se ocultam informações que a sociedade tem o direito de saber, é um dia deplorável.

Quanto ao pedido de desculpas da ministra Cármen Lúcia, o que percebo é uma atitude de quem valoriza a instituição. Mesmo não sendo responsável por nada disso, como alguém imbuída de respeito e cuidado pela instituição, ela faz isso porque a mácula de alguns atinge toda a instituição. É um pedido de desculpas em nome de uma instituição que não deveria ter as máculas que tem.

As instituições deveriam manter a isenção para favorecer o processo democrático, pois quem deve tomar a decisão é o povo brasileiro. As denúncias são graves e precisam ser investigadas com todo o rigor. Defendi que o ministro Alexandre se afastasse para poder se defender fora da função, da mesma forma que o ministro Mendonça também precisa responder pela maneira seletiva com que está passando as informações sobre o processo que está em suas mãos.

Coluna — Há uma questão que tem me incomodado muito: a forma como essa crise no Supremo Tribunal Federal sequestrou a eleição brasileira. Nós vimos um comportamento do ministro André Mendonça marcado por vazamentos seletivos e Alexandre de Moraes sem dar as explicações devidas. Somente ontem ele enviou um ofício, mas não explicou todos os fatos. O país passou as últimas semanas sequestrado por essa crise, sem que as campanhas presidenciais debatessem pautas essenciais, como segurança pública, saúde e o genocídio de pessoas negras no Brasil. Como a senhora percebe uma eleição que não trata desses assuntos e permanece o tempo todo voltada para os erros cometidos no Supremo?

Marina Silva — Uma eleição é a grande oportunidade para debater programas, propostas e diagnósticos e apresentar soluções. Mas, lamentavelmente, estas eleições estão sequestradas pelo debate sobre a crise do Supremo.
Poderíamos estar debatendo a necessidade de uma reforma do Judiciário e de uma reforma política. O Congresso Nacional também precisa de mudanças significativas, inclusive para resolver o problema das emendas parlamentares, que sequestram mais de R$ 50 bilhões do orçamento público para uso sem transparência. Vimos agora, com a quebra de sigilo, o uso de emendas para financiar um filme sobre Bolsonaro, em vez de investimentos em saúde e educação.

Aqueles que são contra a democracia gostam de ver o povo se queixando, pois a queixa paralisa as pessoas. Mas nós podemos fazer mais do que nos queixar: podemos votar em quem tem compromisso com os direitos humanos, com uma educação de qualidade, com a saúde, com a segurança pública, com o fortalecimento das instituições e com a autonomia entre os Poderes.
Cerca de 75% dos jovens que terminam o ensino médio não conseguem entrar na universidade. Era isso que deveríamos estar discutindo. Diante desse sequestro do debate, caberá a nós resgatá-lo com propostas, como eu e Simone Tebet temos feito.

Coluna — A senhora lidera as pesquisas para o Senado por São Paulo. Como tem visto, ao andar pelas cidades e conversar com a população, a disputa pelo governo do estado entre Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas?

Marina Silva — São Paulo tem um peso enorme na balança eleitoral do nosso país. Temos como candidato ao governo Fernando Haddad, que foi ministro da Fazenda e da Educação e fez uma política econômica com responsabilidade e compromisso social, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

Temos dois desafios em São Paulo: manter a força do campo progressista na região metropolitana e avançar no interior. Nas visitas que tenho feito com Fernando Haddad, percebo que muitos prefeitos de municípios de até 25 mil ou 30 mil habitantes estão insatisfeitos com a forma como o governo Tarcísio os tem tratado. Eles se sentem ignorados.

Além disso, muitas pessoas estão sofrendo com a falta de água após a privatização da Sabesp e com os impactos da emergência climática, como as inundações no Vale do Ribeira. Outra grande preocupação é a violência contra as mulheres. Somente em 2025, tivemos 270 mulheres assassinadas no estado de São Paulo, um aumento expressivo em relação aos anos anteriores.
Propomos que as Delegacias da Mulher funcionem 24 horas, com equipes bem treinadas e uma rede de apoio estruturada. Também não posso deixar de mencionar o impacto do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que retirou cerca de US$ 3 bilhões da economia paulista e afetou setores como os de calçados, autopeças, café e o setor sucroenergético.

Coluna — E essa questão do tarifaço afetou bastante o estado…

Marina Silva — Exatamente. Esse tarifaço foi articulado pela família Bolsonaro, e o governador Tarcísio disse que isso “não era problema dele”. Como um prejuízo dessa magnitude para o seu estado não é problema dele? O presidente Lula tem trabalhado para reparar essa injustiça, e nós trabalharemos em defesa de São Paulo e do Brasil.



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