O esporte movimentou R$ 183,4 bilhões na economia brasileira em 2023, o equivalente a 1,69% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, e gerou 3,3 milhões de empregos diretos e indiretos. A partir dessa primeira fotografia econômica do setor, o desafio agora é ampliar a produção de dados e medir com maior profundidade o impacto de…
O esporte movimentou R$ 183,4 bilhões na economia brasileira em 2023, o equivalente a 1,69% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, e gerou 3,3 milhões de empregos diretos e indiretos. A partir dessa primeira fotografia econômica do setor, o desafio agora é ampliar a produção de dados e medir com maior profundidade o impacto de atividades como os eventos esportivos, que movimentam turismo, transporte, hospedagem, alimentação, comércio e serviços nas cidades.
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Os números do primeiro Relatório Nacional da Economia do Esporte foram apresentados por Fabiana Bentes, fundadora e presidente do Instituto Sou do Esporte, nesta quarta-feira (2), durante o Ticket Sports Summit, realizado no Memorial da América Latina, em São Paulo (SP).
Fabiana Bentes integrou a programação com a apresentação “O PIB do Esporte”, em um evento que reuniu, ao longo de dois dias, nomes como Lars Grael, Clóvis de Barros Filho, Daniel Krutman, CEO da Ticket Sports, Duda Magalhães, da Dream Factory, Wlamir Motta Campos, presidente da Confederação Brasileira de Atletismo, e Natacha Manchado, da World Athletics.
O levantamento, conduzido pelo Instituto Sou do Esporte com metodologia da EY, mostrou avanço da atividade econômica ligada ao setor. Em 2022, o PIB do Esporte havia alcançado R$ 176,15 bilhões e representava 1,67% do PIB nacional. No ano seguinte, chegou a R$ 183,4 bilhões e a 1,69%, crescimento de aproximadamente 4,1% no valor movimentado.
Durante a apresentação no Auditório Simon Bolívar, Fabiana Bentes defendeu que os indicadores econômicos sejam utilizados para mudar a maneira como governos, empresas e o próprio mercado enxergam o setor.
“O esporte precisa ser visto como investimento. Precisamos trazer a relevância do esporte para o segmento econômico do país e não tratá-lo apenas como ajuda ou incentivo. O esporte é importante para o Brasil”, afirmou Fabiana Bentes.
A segunda edição do PIB do Esporte começa a ser desenvolvida ainda em 2026, com ano-base 2025. Durante a palestra, Fabiana Bentes informou que o projeto conseguiu uma emenda do senador Carlos Portinho para a próxima edição. O novo levantamento deverá aprofundar áreas que apresentaram limitações de dados na primeira edição e incorporar transformações ocorridas no mercado nos últimos anos.
“Conseguimos a emenda do senador Portinho para o PIB 2 e começamos ainda este ano o estudo relacionado a 2025. No primeiro levantamento, não tínhamos as apostas, porque ainda não estavam regulamentadas, e temos pouca informação sobre atividades informais”, explicou.
CADA R$ 1 PRIVADO MOVIMENTA OUTROS R$ 23,36
Outro indicador apresentado no Ticket Sports Summit foi o efeito multiplicador dos recursos destinados ao esporte. Segundo o estudo, para cada R$ 1 de investimento privado foram gerados R$ 23,36 adicionais na cadeia de valor esportiva. No setor público, cada R$ 1 aplicado gerou R$ 12,83 adicionais.
“Esporte não é ajuda. É investimento, retorno, geração de emprego e renda. Essa é a forma como precisamos apresentar o esporte no país”, disse Fabiana Bentes.
Os 3,3 milhões de empregos diretos e indiretos identificados pelo levantamento ajudam a dimensionar a extensão dessa cadeia. O comércio de artigos esportivos respondeu por 52% dos postos contabilizados, seguido pelas atividades recreativas, com 25%; indústria, com 13%; e mídia e publicidade, com 7%.
EVENTOS COMO GERADORES DE ECONOMIA
Um dos principais pontos da apresentação de Fabiana Bentes no Ticket Sports Summit foi a necessidade de os organizadores ampliarem a produção de informações sobre o impacto econômico de seus eventos. Para a presidente do Instituto Sou do Esporte, número de inscritos e público são apenas parte dos indicadores necessários para demonstrar o valor de uma competição.
Dados sobre origem e perfil dos participantes, número de acompanhantes, gastos realizados no destino, passagens, hospedagem, alimentação, transporte, compras e viagens nacionais ou internacionais motivadas pelo evento ajudam a identificar quanto uma competição efetivamente movimenta na economia local.
“É preciso saber quantas pessoas participam, qual o perfil desse público, quanto cada pessoa investe para estar no evento, com quantos acompanhantes vem, qual economia gera, o que compra, se paga passagem e se está fazendo turismo nacional ou internacional para acompanhar a competição. Ainda temos uma dificuldade muito grande com dados qualificados no esporte brasileiro”, afirmou Fabiana Bentes.
A produção dessas informações, segundo Fabiana Bentes, pode fortalecer a posição dos organizadores nas negociações com patrocinadores, prefeituras e demais agentes públicos. Ao mensurar os recursos movimentados por participantes e acompanhantes, os eventos conseguem demonstrar impacto que ultrapassa a realização da competição e alcança diferentes setores da economia.
Durante a apresentação, Fabiana Bentes citou exemplos como a etapa da World Surf League em Saquarema (RJ), o Rio Open, no Rio de Janeiro (RJ), e a Stock Car em Minas Gerais para mostrar a relação entre grandes eventos esportivos e atividade econômica local.
“Esses números fortalecem a defesa pela criação de mais oportunidades e investimentos para os eventos. Quanto mais qualificarmos os dados das competições, maior será a capacidade de demonstrar sua importância e construir percepção de valor para o mercado”, destacou.
Para Fabiana Bentes, essa mensuração também muda a relação entre organizadores e poder público. Em vez de apresentar o esporte apenas por seus efeitos sociais, educacionais ou de saúde, o setor passa a demonstrar geração de atividade econômica, empregos, renda e arrecadação.
“Se não nos apropriarmos dessa narrativa, será cada vez mais difícil conquistar investimentos de patrocinadores e do poder público. A percepção de valor precisa ser pensada como um motor para gerar economia para o esporte brasileiro e para o país”, afirmou.
O primeiro estudo mostrou também a dificuldade de dimensionar integralmente uma indústria relacionada a mais de 20 segmentos econômicos. A metodologia considerou áreas como indústria, consumo, saúde e bem-estar, turismo esportivo, governança, comércio, serviços, mídia e entretenimento.
No PIB 2, além da economia informal e do mercado regulamentado de apostas esportivas, a cadeia produtiva das corridas e do atletismo deverá receber maior atenção. O objetivo é aprofundar a identificação das atividades formais e informais que movimentam recursos em torno das modalidades e dos eventos.
“O estudo virou referência. Vamos trabalhar agora com o ano-base 2025 e a intenção é realizar esse levantamento a cada dois anos”, afirmou Fabiana Bentes.
A apresentação de Fabiana Bentes no Ticket Sports Summit ocorreu das 11h50 às 12h15. O encontro reuniu profissionais, empresas e organizações ligados à indústria de eventos esportivos.
SOBRE O INSTITUTO SOU DO ESPORTE
O Instituto Sou do Esporte é uma organização independente e apartidária fundada em 2015 pela jornalista Fabiana Bentes para fortalecer o esporte brasileiro por meio da boa governança, da transparência e da responsabilidade social.
Ao longo de uma década de atuação, consolidou-se como uma das principais referências nacionais na qualificação da gestão esportiva e no desenvolvimento de iniciativas que conectam esporte, economia, inovação, comunicação e impacto social.
Entre seus principais projetos estão o Prêmio Sou do Esporte, reconhecido como a maior premiação multissetorial do esporte brasileiro; o PIB do Esporte, estudo pioneiro desenvolvido em parceria com a EY que mensura a participação do setor na economia nacional; o SDE Bisutti Talks, série de encontros voltada à troca de conhecimento e networking entre lideranças do esporte e dos negócios; e o Sou do Esporte Gastronomia Nutritiva, espaço que une alimentação saudável, esporte, bem-estar e relacionamento.
O instituto também promove eventos, estudos, programas de capacitação e projetos estratégicos voltados ao fortalecimento do ecossistema esportivo, conectando organizações, empresas, governos e lideranças em torno de um esporte mais ético, transparente e sustentável.
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