Os Estados Unidos oferecem uma recompensa de até US$ 20 milhões por informações sobre o programa nuclear do Irã. A iniciativa prevê ainda a possibilidade de transferência dos informantes para um local seguro, caso necessário.
Divulgada nesta sexta-feira (6/11) pela organização Rewards for Justice, que é vinculada ao Departamento de Estado, a medida busca dados sobre instalações, equipamentos, cientistas e outras pessoas associadas às atividades nucleares iranianas, além da movimentação desses materiais e indivíduos.
A oferta ocorre em meio à guerra entre EUA, Israel e Irã, iniciada em 28 de fevereiro, e às tentativas de Washington de impedir que Teerã desenvolva armas nucleares.
O programa atômico iraniano está no centro das tensões entre os países há anos e foi um dos principais argumentos apresentados pelos governos norte-americano e israelense para justificar a ofensiva militar.
Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles
Programa nuclear no centro da guerra
Em 2025, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que o Irã enriquecia urânio a 60% de pureza. O percentual está próximo dos 90% geralmente necessários para a produção de urânio de grau militar.
Segundo a Rewards for Justice, especialistas avaliam que, caso o material fosse enriquecido ainda mais, a quantidade acumulada poderia ser suficiente para fabricar várias armas nucleares.
O Irã é o único país que não possui armas nucleares reconhecidas internacionalmente a produzir urânio nesse nível de enriquecimento. Embora o avanço represente uma preocupação para organismos internacionais, o enriquecimento a 60% não significa, por si só, que o país tenha uma bomba atômica pronta.
A AIEA também perdeu a continuidade do conhecimento sobre parte da produção e dos estoques iranianos de componentes nucleares, como centrífugas, após o descumprimento de obrigações de salvaguardas por Teerã. A situação dificulta a fiscalização internacional e a identificação precisa dos materiais e equipamentos existentes.
Ataques de EUA e Israel contra o Irã
A operação provocou uma resposta de Teerã, que lançou mísseis e drones contra Israel e alvos em países do Oriente Médio que abrigam bases norte-americanas.
A ofensiva também atingiu a liderança iraniana. O então líder supremo Ali Khamenei morreu nos ataques, e seu filho, Mojtaba Khamenei, assumiu posteriormente o posto. Apesar das perdas militares e políticas, o regime iraniano permaneceu no poder.
As hostilidades provocaram impactos regionais, incluindo ataques a infraestruturas e ameaças à navegação no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte internacional de petróleo. O conflito também pressionou os preços dos combustíveis e ampliou as preocupações com o abastecimento energético mundial.
Cessar-fogo e novas negociações
Após meses de confrontos, Estados Unidos e Irã chegaram a um cessar-fogo em abril e firmaram, em junho, um memorando de entendimento para tentar encerrar a guerra. O acordo, no entanto, não se sustentou, e as hostilidades foram retomadas nos meses seguintes.
Neste mês, os dois países voltaram a discutir possíveis caminhos para um entendimento. O Catar atua como intermediário nas conversas, que incluem o programa nuclear iraniano e condições para o fim dos ataques.
Teerã condiciona o avanço das negociações a exigências como o levantamento de sanções, a liberação de ativos iranianos congelados, o fim do bloqueio norte-americano a portos do país e compensações pelos danos provocados pela guerra. Washington, por sua vez, insiste que o programa nuclear precisa integrar qualquer acordo.




