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Ex-atriz pornô assume cargo no Senado e divide opiniões na web


Deyci Alejandra Omaña Ortiz tomou posse como senadora nesta segunda-feira (20/7)

Deyci Alejandra Omaña Ortiz tomou posse como senadora nesta segunda-feira (20/7). — Foto: Reprodução

A posse da nova senadora colombiana Deyci Alejandra Omaña Ortiz, conhecida no universo do entretenimento adulto como Amaranta Hank, repercutiu nas redes sociais. Jornalista de formação e ex-atriz pornô, ela assumiu uma cadeira no Senado nesta segunda-feira (20/7) pelo partido de esquerda Pacto Histórico, tornando-a uma das figuras mais comentadas da política colombiana.

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Deyci ingressou na indústria de filmes adultos em 2017 e deixou o setor cerca de dois anos depois para iniciar a trajetória política. Aos 33 anos, defende que profissionais da produção de conteúdo adulto tenham acesso a direitos trabalhistas e à seguridade social, além de proteção legal contra a exploração por empresas e agências.

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Após a divulgação do resultado das eleições, em março deste ano, a parlamentar afirmou para o público que existe uma contradição na forma como a sociedade trata quem atua nesse mercado. “O problema é que a sociedade consome filmes adultos, mas nos nega a possibilidade de falar em espaços de poder.”

Representando o departamento de Norte de Santander no mandato de 2026 a 2030, a senadora também rebateu críticas sobre a capacidade para exercer o cargo. “Por que uma mulher que trabalhou na indústria pornográfica não pode aspirar a um cargo eletivo?”, questiona.

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Além da defesa dos direitos de trabalhadores do entretenimento adulto, Ortiz afirma que pretende concentrar a atuação legislativa em temas como saúde mental, prevenção do abuso sexual e combate à exploração de pessoas vulneráveis. O partido do qual a senadora faz parte — O Pacto Histórico — é o maior da bancada do senado com 25 cadeiras, e o atual partido do presidente da Colômbia Gustavo Petro.

Ortiz não é a pioneira

Embora o caso tenha chamado a atenção internacional por romper um estereótipo associado ao perfil tradicional de parlamentares, Amaranta Hank não é a primeira pessoa com histórico na indústria pornográfica a ocupar um cargo político.

Um dos exemplos mais conhecidos é o da italiana Ilona Staller, mais conhecida como Cicciolina, eleita deputada em 1987. Ela permaneceu no Parlamento italiano até 1992 e, mesmo após deixar o cargo, continuou atuando como ativista, cantora e escritora. A própria Amaranta citou Cicciolina e também a holandesa Yvette Luhrs, ex-profissional do sexo que se tornou ativista política, para responder às críticas de setores conservadores.

“Minha experiência me permitiu compreender a desigualdade, a luta pela liberdade e a economia popular, pautas que agora prometo levar diretamente ao debate legislativo. Há uma transformação política em curso que ainda tem um longo caminho a percorrer, mas o importante é que ela já começou”, disse.

Homens com passagem pela indústria pornográfica também já ingressaram na política. No Brasil, um dos casos mais conhecidos é o de Alexandre Frota, que atuou em filmes adultos antes de ser eleito deputado federal por São Paulo, exercendo o mandato entre 2019 e 2023. Atualmente, ele é vereador em Cotia (SP) pelo partido PDT.

O caso divide opiniões públicas

A chegada da parlamentar ao Senado provocou reações distintas uma das outras. Enquanto parte do público questiona a trajetória profissional anterior, outros defendem que seu passado não deve ser utilizado como critério para avaliar sua capacidade política.

Nas redes sociais, um internauta escreveu: “Ela recebeu votos que lhe garantiram um lugar nessa lista fechada. Embora o tema deixe muitas pessoas desconfortáveis, o trabalho sexual existe e é trabalho. Negar a realidade de milhares de mulheres é negar seus direitos.”

Já outro usuário criticou a escolha do partido: “Não é pelo fato de ela ter trabalhado no entretenimento adulto. Isso é irrelevante para ocupar um cargo público. Minha crítica é porque sua posição sobre prostituição e indústria do sexo é contestada por organizações que denunciam exploração sexual, cafetinagem e tráfico de pessoas. O partido poderia ter escolhido uma mulher com outra trajetória na defesa dos direitos das mulheres.”



Fonte: Gazetaweb