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Governo Lula rebate críticas de Trump sobre falhas no combate às facções


O governo brasileiro rebateu as críticas feitas pelos Estados Unidos ao combate ao crime organizado no país. Em nota divulgada nesta quarta-feira (16/9), o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) afirmou que a avaliação norte-americana desconsidera medidas adotadas pelo governo federal contra as organizações criminosas.

“O governo brasileiro refuta quaisquer alegações de que existam falhas ou omissões no enfrentamento ao crime organizado transnacional. […] Trata-se, portanto, de manifestação circunstancial inserida na parte narrativa do documento, sem respaldo em sua parte dispositiva”, diz a nota.

A manifestação ocorre após o governo de Donald Trump encaminhar ao Congresso dos Estados Unidos a determinação anual que identifica os principais países produtores ou de trânsito de drogas ilícitas para o ano fiscal de 2027.

O Brasil não aparece entre os 23 países relacionados no documento, que inclui vizinhos, como: Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, Peru e Venezuela.

Apesar de estar fora da relação, o Brasil é citado em um trecho específico da determinação. O governo Trump afirma que o país teria falhado no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas estrangeiras.

Segundo o documento, as duas facções teriam transformado o Brasil em um centro de distribuição global de cocaína. A determinação também afirma que o governo brasileiro precisa adotar medidas consideradas urgentes contra os grupos. 

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Governo rebate

Em resposta, o governo brasileiro afirmou que a manifestação dos Estados Unidos não considera os esforços realizados no enfrentamento ao crime organizado transnacional.

Entre as ações citadas está a Lei Antifacção, sancionada em março de 2026, que estabelece penas mais severas para integrantes em posições de liderança e cria mecanismos voltados ao enfraquecimento financeiro das organizações criminosas.

O governo também menciona dezenas de milhares de operações realizadas por forças federais, com apreensões e prejuízos bilionários.

Outro ponto destacado é o Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio deste ano. Segundo o MJSP, a iniciativa reúne ações de combate ao financiamento das facções, fortalecimento do sistema prisional, investigação de homicídios e enfrentamento ao tráfico de armas.


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A nota brasileira ressalta ainda que a ausência do Brasil na lista formal é relevante para a interpretação do documento.

Segundo o governo, a referência ao país aparece apenas na parte narrativa da determinação e não corresponde à classificação formal de descumprimento prevista na legislação norte-americana.

A própria determinação dos EUA afirma que a presença de um país na relação de grandes produtores ou rotas de drogas não constitui, por si só, uma avaliação sobre os esforços atuais de combate às drogas ou sobre o nível de coordenação com Washington.

PCC e CV

O governo Trump classificou o PCC e o Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO), em maio. A medida foi contestada pelo governo brasileiro, que apontou riscos relacionados à soberania nacional e à atuação estrangeira no combate às organizações criminosas.

Na determinação anual enviada ao Congresso, a Casa Branca voltou a citar os dois grupos ao tratar da situação brasileira.

Em sua manifestação, o Ministério da Justiça afirmou que o combate ao crime organizado é uma prioridade permanente do governo federal e envolve ações de inteligência, investigação, integração entre forças de segurança e cooperação jurídica e internacional.



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