Integrantes do governo Lula avaliam que a gestão Donald Trump resolveu esticar a corda com a nova proposta de tarifaço sobre importações brasileiras mirando uma posição melhor em negociações de produtos específicos.
Essa leitura tem sido feita, nos bastidores, por ministros, diplomatas e assessores que atuam no governo Lula e que estão acompanhando de perto as negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

Presidente Lula
LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova

Donald Trump
Andrew Harnik/Getty Images

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Para membros do governo Lula, os americanos usam a ameaça de um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros para negociar em melhor posição as tarifas impostas pelo Brasil a produtos como o etanol americano.
O produto foi citado explicitamente pelo Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) no relatório em que o órgão defende aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras para punir práticas “irrazoáveis”.
No documento, o USTR argumenta que o Brasil interrompeu desde 2017, de forma abrupta, o tratamento tarifário equilibrado aplicado ao etanol e que, desde então, não oferece reciprocidade às exportações do combustível americano.
Integrantes do governo Lula avaliam que a gestão Trump também estaria usando o tarifaço para pressionar em negociações sobre o milho, produto em que Brasil e EUA competem no mercado internacional.
No relatório em que propõe o tarifaço, o Escritório de Comércio dos EUA cita que áreas desmatadas ilegalmente no Brasil seria utilizadas para atividades agropecuárias, como pecuária e produção de milho e soja.
Para ministros de Lula, o governo Trump quer melhores condições nas negociações em busca de boas notícias para o público interno em um ano de eleições para o Congresso Nacional americano.
“Os EUA estão pressionando para negociar em melhor posição com o Brasil em cotas, etanol, milho. Eles precisam de boas notícias para o público interno. Lá tem eleição também em 2026”, afirmou à coluna um influente ministro de Lula.
Entenda a proposta de tarifaço
A proposta do governo Trump de impor uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros resulta de uma investigação aberta pelos EUA em julho de 2025 com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.
O documento que deu origem ao processo apontava supostas práticas prejudiciais aos interesses americanos. Entre elas estavam o tratamento dado ao Pix, decisões judiciais envolvendo bigh techs, entre outros.
O Escritório de Comércio dos Estados Unidos, contudo, incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos americanos. Entre eles, carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outros.
A nova taxa proposta ainda não está valendo. Pela legislação americana, a investigação precisa passar por consultas públicas. O prazo final para o governo Trump decidir se aplica ou não as tarifas é 15 de julho de 2026.


