Áreas cercadas e muradas, casas de alvenaria já erguidas, postes de energia e árvores recém-cortadas mostram o interesse econômico em uma das regiões mais sensíveis do ponto de vista ambiental do Distrito Federal. O local, próximo ao Privê Lago Norte II e vizinho à Serrinha do Paranoá, abriga diversas nascentes responsáveis por recarga hídrica, inclusive, de águas que chegam ao Lago Paranoá.
A grilagem no local não é novidade. Ao longo dos últimos anos, órgãos públicos realizaram autuações, operações e vistorias para desmontar as estruturas ilegais. O cenário atual, no entanto, não mostra uma diminuição dessas invasões: árvores recém cortadas, cercamentos, demarcação de lotes e diversas casas erguidas.
Chama atenção o endereço: a região, em um local considerado estratégico para a preservação dos recursos hídricos do DF, está imediatamente ao lado do Parque Distrital da Serrinha, criado em abril deste ano pelo Governo do Distrito Federal (GDF). O parque foi criado justamente com o objetivo de proteger áreas de recarga de aquíferos, nascentes e bacias dos córregos Urubu e Jerivá.
Segundo o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), as ocupações no local já duram anos. Em uma das operações de fiscalização do órgão, feita em setembro de 2021, foram detectados 55 pontos de ocupação.
O acompanhamento seguiu nos anos seguintes: de 2022 a 2025. Em maio de 2026, foram identificadas aberturas de acessos, alguns desses fechados por correntes, e cercamentos feitos com estacas de madeira e arame.







A região pertence à área de Preservação Ambintal (APA) do Lago Paranoá
LUIS NOVA / METRÓPOLES @LuisGustavoNova
Há casas recém construídas e outras com décadas de moradia
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Cercas de madeira, arame, bambu e delimitação de terra são perceptíveis
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Diversas casas tem cercamentos e delimitação
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Há possibilidade de que queimada próximas às invasões seja para facilitar loteamento
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Várias casas estão sendo erguidas no local; materiais de construção foram vistos no local
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O local já foi alvo de diversas operações
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Em imagem de drone, a serparação de lotes é nítida
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A região fica perto da Serrinha do Paranoá
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Morador que vive nas proximidades relatou que já chegou a ter a própria energia elétrica desviada – o chamado “Gato de energia”, por moradores que usufruem das invasões, tendo inclusive sofrido prejuízo por quedas de energia frutos do desvio.
Exceto pelas áreas regulamentadas por concessão de uso, a energia elétrica avança para os lotes invadidos mesmo com o emabargo e proteção das terras.
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Terracap diz que notificou órgãos
Procurada, a Terracap informou que identificou as ocupações e comunicou os órgãos responsáveis para que fossem tomadas providências.
“A Terracap informa que identificou as ocupações e notificou o DF Legal, Ibram e ICMBio a promoverem as providências necessárias na área que é parque”, declarou a companhia.
O Ibram afirmou que há dezenas de registros de ações fiscalizatórias na região, e que o histórico reúne diferentes tipos de atuação como demandas judiciais, ordens de serviço, vistorias periódicas, relatórios, autuações e operações integradas.
O instituto também informou que repudia novas ocupações e intervenções ambientais sem autorização e que continuará realizando ações de fiscalização e monitoramento.
Em nota, o DF Legal informou que tem ciência das ocupações irregulares no local e que realizou quatro operações entre 2024 e 2025 para desconstituir obras iniciais e cercamentos novos na região e, desde então, segue monitorando novas construções.
Serrinha do Paranoá, criação do parque e BRB
O Parque Distrital da Serrinha, no entanto, não se trata da Serrinha do Paranoá, que ganhou notoriedade nos escândalos financeiros do Banco Master e sua relação com o Banco de Brasília (BRB) ao ser incluído no plano de capitalização do BRB.
Frequentadores e pessoas que acompanham a situação ambiental hoje ameaçada relataram que a área, apesar de sofrer invasões há anos, teve crescente interesse após a notoriedade com a tentativa de incorporação pelo BRB.
O terreno destinado para criação do parque, tem aproximadamente uma área de 66 hectares, enquanto a Gleba A, que corresponde ao terreno que seria capitalizado, possui uma área de 716 hectares.
O Ibram informou que as duas áreas estão incluídas no território da região: “Tanto a Gleba A quanto a área do Parque Distrital da Serrinha do Paranoá, bem como as suas zonas de amortecimento delimitadas pela poligonal publicada no decreto, fazem parte do conglomerado territorial denominado Serrinha do Paranoá.”




