Um estudo brasileiro sobre o que leva jararacas a picarem humanos foi um dos vencedores da edição de 2026 do IgNobel, uma premiação bem-humorada que concede prêmios a pesquisas científicas inusitadas, engraçadas ou bizarras. O evento ocorreu nesta quinta-feira (3/9), em Zurique, na Suíça.
Segundo os organizadores, para vencer, os estudos têm que seguir o lema oficial da competição: “Primeiro faz as pessoas rirem. Depois, as faz pensar”.
A pesquisa brasileira foi vencedora na categoria Biologia e foi liderada por pesquisadores da Unesp e do Instituto Butantan. O artigo foi publicado na revista Scientific Reports em 2024.
O principal objetivo do trabalho era entender o que leva uma jararaca a dar o bote em seres humanos?. Para responder à pergunta, os cientistas reuniram mais de 100 cobras da espécie e as colocaram em um espaço preparado para os testes.
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do Metrópoles
Quais foram os outros vencedores
Além de Biologia, mais nove categorias foram premiadas no IgNobel:
- Química: estudo descobriu que o leite de uma determinada espécie de barata oferece mais energia do que o líquido produzido por vacas.
- Olfato: pesquisa trouxe evidências de que os pais adoram o cheiro de seus bebês, mas não o odor de quando eles se tornam adolescentes.
- Biomecânica: estudo definiu de forma precisa o que é um beijo, incluindo comparações com o comportamento no mundo animal.
- Ciência do Solo: pesquisa enterrou cuecas e calcinhas para analisar a saúde do solo na Suíça.
- Tecnologia: estudo conseguiu usar a estrutura que os mosquitos utilizam para furar a pele na área da impressão 3D.
- Economia: levantamento mostra que pessoas de classes sociais mais ricas têm tendência a ter comportamentos reprováveis, como pegar doces de uma criança.
- Física: pesquisa tentou criar um mictório que diminuísse a quantidade de respingos.
- Paz: estudo investigou o motivo de as pessoas terem uma amizade maior com indivíduos que tratam mal desafetos em comum.
- Medicina: o ganhador foi um estudo em que analisou-se a aerodinâmica de assoar o nariz.
Nos experimentos, um pesquisador equipado com uma bota de segurança se aproximava a cerca de 5 cm do animal e depois tocava levemente três partes de seu corpo: a cabeça, o meio do corpo e a cauda. As simulações foram realizadas tanto de manhã quanto à noite. Além disso, a temperatura das serpentes foi monitorada.
Segundo os resultados, a chance de picada ao tocar a cabeça do animal era de cerca de 44%; na metade do corpo, de 20%; e na cauda, de 11%. Fatores como idade e temperatura das serpentes também influenciaram os ataques: recém-nascidos, por exemplo, davam mais botes do que adultos, e as fêmeas picavam mais quando a temperatura estava alta.



