Um tornado provocou estragos em três municípios do Rio Grande do Sul na noite dessa terça-feira (28/7). Segundo informações divulgadas pela Defesa Civil do estado, o fenômeno ocorreu em decorrência de uma supercélula, um tipo intenso e organizado de tempestade. O evento atmosférico causou queda de árvores e postes, além de destelhar construções.
A supercélula é caracterizada pela presença de uma corrente de ar, chamada mesociclone, que se movimenta para cima de forma rotativa e persistente.
É justamente a rotação que torna o sistema mais organizado e duradouro do que uma tempestade comum, aumentando as chances de chuvas intensas, granizo, rajadas de ventos fortes e tornados.
“As supercélulas podem durar até seis horas, percorrer centenas de quilômetros e produzir granizo de grandes dimensões, ventos destrutivos e tornados”, explica a engenheira ambiental Celina Rodrigues, pesquisadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) apoiada pelo Instituto Serrapilheira.
A formação de supercélulas ocorre por meio de condições atmosféricas específicas, como presença de umidade no ar, instabilidade atmosférica e algum fator capaz de fazer o ar subir, como a passagem de uma frente fria ou o aquecimento do solo.
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do Metrópoles
Além disso, o cisalhamento do vento também é importante para a ocorrência da tempestade severa. O mecanismo faz as correntes de ar soprarem ar em direções ou velocidades diferentes em alturas variadas da atmosfera, criando uma rotação inicial.
A intensidade do evento depende da quantidade de umidade e do nível de aquecimento da atmosfera. Supercélulas não são muito comuns no Brasil, mas as principais regiões que costumam ser atingidas no país são a Sul e Sudeste.
O meteorologista Tércio Ambrizzi afirma que o aquecimento global pode intensificar a ocorrência do evento extremo.
“O aumento da temperatura do planeta eleva a quantidade de vapor d’água na atmosfera. Isso intensifica chuvas extremas. Mas ainda precisamos de mais estudos para afirmar se há aumento específico de supercélulas”, diz o professor do departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP) e membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC).



