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Laudo de advogado morto em SP aponta mistura de anestésico com álcool


Exame toxicológico identificou cetamina e álcool no corpo da vítima

Obtido pelo UOL

O laudo toxicológico do advogado carioca que morreu no mês passado próximo a bares em Pinheiros, na zona oeste da capital, indicou a presença do anestésico cetamina misturado com uma bebida alcoólica no corpo da vítima. A informação foi divulgada pela delegada Ivalda Aleixo, chefe do DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa), ao Brasil Urgente, da TV Bandeirantes, e confirmada pelo UOL.

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O que aconteceu

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Morte do advogado Pedro Ely Cordeiro, 43, foi em decorrência de uma parada cardiorrespiratória causada pela cetamina, disse Aleixo à emissora. A substância é um anestésico hospitalar, sendo usada em diversos países, incluindo o Brasil, com a finalidade de sedação para humanos e outros animais. É apelidada de “tranquilizante para cavalos”. As autoridades aguardavam os resultados do laudo toxicológico e já apuravam se a bebida consumida pelo advogado tinha sido batizada.

A delegada explicou que a substância causa, além de amnésia, a perda do controle dos membros. Em vídeos gravados antes da morte, é possível ver o advogado com o corpo curvado e sem se movimentar em uma rua da região. O advogado e um amigo que o acompanhava antes do crime consumiram bebidas alcoólicas. Na data havia jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo.

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UOL apurou com exclusividade na última semana que o laudo necroscópico feito no corpo do advogado teve resultado inconclusivo. O caso é investigado pelo DHPP.

Cetamina

A substância serve como sedativo e alternativa para tratamento de depressão resistente. Além do efeito sedativo, um derivado da cetamina, chamado cloridrato de escetamina, é usado em forma de spray nasal para tratar depressão resistente e casos de ideação suicida. A cetamina também pode ser administrada de forma intravenosa para tratamento de depressão resistente.

Remédio não pode ser usado em casa. Tanto a forma em spray nasal quanto a intravenosa para tratar depressão devem ser administradas exclusivamente em hospital ou clínica especializada e na presença de um profissional da saúde. O uso da substância não está disponível no SUS.

Cetamina é um anestésico dissociativo. Quando usada como anestésico, tem efeitos alucinógenos, com sensação de bem-estar. Em doses menores, quem consome a substância pode se sentir eufórico e ter episódios de sinestesia —mistura de sensações relacionadas aos sentidos, como “ver” sons e “ouvir” cores.

Apesar dos efeitos benéficos, existe uma preocupação em torno da cetamina. O alerta é semelhante ao da prescrição de opiáceos (medicamentos com efeitos analgésicos e sedativos potentes) e há risco com uso indevido, porque pode viciar. A substância é utilizada para produzir uma droga sintética conhecida “keta”, “key” ou “special k”.

Justiça manda prender suspeito

A Justiça de São Paulo determinou a prisão do homem que acompanhava o advogado após solicitação do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa). Vagner Pereira da Silva, de 33 anos, é procurado pelas autoridades.

Judiciário determinou a prisão temporária do suspeito de envolvimento com o crime. O mandado de prisão do suspeito foi emitido em 4 de agosto. Segundo a Polícia Civil, Vagner é o homem de boné branco que aparece em uma tabacaria com o advogado Pedro Ely, momentos antes de a vítima morrer na região de bares próxima à rua Aspicuelta.

A detenção é válida por 30 dias, com possibilidade de prorrogação por igual período. O Ministério Público também se mostrou favorável à prisão do homem. As autoridades não detalharam qual seria a ligação do suspeito com o crime, porém, a reportagem apurou que a solicitação foi baseada no artigo 157 do Código Penal, que define o crime de roubo.

Diligências são realizadas para a captura de Vagner, segundo a SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo). A defesa de Vagner não foi localizada para pedido de posicionamento. O espaço segue aberto para manifestação.

Relembre o caso

Inicialmente, o advogado foi dado como desaparecido. Segundo consta em boletim de ocorrência, ele entrou em um carro de aplicativo com um conhecido momentos antes do registro na tabacaria. O acompanhante desceu em Moema, e Pedro deveria seguir para o hotel Mercure JK, na Vila Olímpia, onde estava hospedado. Dias depois, parentes do advogado estiveram no IML (Instituto Médico Legal), em São Paulo, e reconheceram seu corpo.

Imagens de câmeras de segurança de uma tabacaria mostraram o homem de boné branco junto ao advogado enquanto ele comprava cerveja na madrugada do dia 10 de julho. Os dois foram vistos antes andando por uma calçada e conversando de maneira descontraída.

No vídeo, obtido pelo UOL, os dois conversam dentro do comércio e aparentam intimidade, quando o advogado dá um tapa no homem. A atitude aconteceu enquanto o colega aparentava observar a senha do cartão do advogado. Ele compra uma cerveja e a entrega para o homem que o acompanhava.

Segundo a polícia, Pedro foi encontrado passando mal na rua Fradique Coutinho, cerca de 45 minutos depois do registro na tabacaria. O socorro médico foi acionado, mas ele morreu no local. O celular dele emitiu sinal pela última vez por volta das 5h. Depois disso, o contato foi perdido. O hotel Mercure JK informou ao UOL que “está colaborando com as autoridades”.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, o corpo do advogado não apresentava sinais aparentes de violência. A polícia trabalha com a hipótese de que a bebida do advogado tenha sido batizada. A substância teria deixado a vítima sem reação e com os movimentos comprometidos. Em julho, o então advogado da família de Pedro, Marcelo Martins Ferreira, relatou que essa era a principal linha de investigação do caso.

Obtido pelo UOL



Fonte: Gazetaweb