O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acusou o colega André Mendonça de promover um “levantamento seletivo e direcionado” do sigilo de documentos do Caso Master para proteger “determinado grupo político”.
Em ofício enviado ao presidente da Corte, Edson Fachin, Moraes pediu acesso integral do colegiado a 18 procedimentos e a 180 documentos de outros 13 processos.
Moraes salientou que não cabe a Mendonça “escolher quais os documentos acessíveis ao Colegiado para realizar seu julgamento”, em referência à sessão de terça-feira (15/9), que tratará das mensagens trocadas entre o ministro e o banqueiro Daniel Vorcaro.
“O levantamento seletivo e direcionado do sigilo realizada pelo Ministro André Mendonça, na proteção ostensiva de determinado grupo político, repete a ilegal conduta de direcionamento dos acordos de colaboração premiada e de determinações de diligências de investigação de ofício contra alvos predeterminados”, escreveu Moraes.
Ao fim, o ministro pediu que Fachin reitere a necessidade de acesso integral a todos os documentos.
Entre no canal de WhatsApp
da Coluna Manoela Alcântara
Mais cedo, Mendonça afirmou que todos os documentos do caso já são públicos, ou seja, que não há mais nada sob sigilo, e ponderou que a conclusão de Moraes ao cobrar os documentos foi baseada na diferença entre o número de peças disponibilizadas para consulta e a quantidade indicada no sistema eletrônico do STF.
Segundo Mendonça, os números podem não coincidir por diferentes motivos, como a transferência de documentos para outros procedimentos ou a existência de peças internas, entre elas ofícios e mandados.
“Os motivos pelos quais a aparente desconformidade ocorre, como dito, podem ser de múltiplas ordens. Portanto, comprova-se cabalmente a imprestabilidade da tabela apresentada para a finalidade almejada. O que se tem como fato é que: todas as peças efetivamente disponíveis foram devidamente publicizadas”, escreveu Mendonça.
180 documentos
Moraes salientou que Mendonça deixou de fora 180 documentos do levantamento de sigilo dos autos do Caso Master.
O número consta em um ofício enviado por Moraes ao presidente do STF, Edson Fachin, no qual pede a derrubada completa dos sigilos envolvendo o caso e o julgamento conjunto com apurações que envolvam a conduta de Mendonça.
Moraes salientou que Mendonça é diretamente interessado nos julgamentos das PETs 16.704, procedimento instaurado por Fachin para centralizar a apuração do Caso Master, e 16.662, que apura a relação entre Vorcaro e Moraes, e que fez uma “escolha seletiva do levantamento somente de parte dos procedimentos”.



