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MP Eleitoral pede que TSE barre candidatura de Canella por elo com milícias


O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nessa sexta-feira (23/10), que impeça a candidatura de Márcio Canella (foto em destaque), deputado estadual eleito no primeiro turno das eleições deste ano no Rio de Janeiro, por suspeitas de ligação com milícias e outras organizaçãoes criminosas. Em parecer enviado à Corte, o órgão afirma haver provas de que o político atuou como articulador de um esquema criminoso. 

Canella foi preso no dia 15 de outubro, durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal (PF), que investiga um esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis no Rio de Janeiro. A investigação apura a movimentação de mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos.

No parecer, o vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, defende que o TSE reforme a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), que havia liberado a candidatura.

Na ocasião, a Corte regional ainda não tinha acesso às provas do inquérito, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). O sigilo do processo foi retirado neste mês, após a prisão do político.

Espinosa afirma que o TSE já tem entendimento consolidado de que políticos ligados a organizações paramilitares ou grupos semelhantes podem ser impedidos de disputar eleições mesmo sem condenação definitiva. O argumento se baseia no artigo 17 da Constituição Federal, que proíbe a influência desses grupos nos partidos políticos.

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da Coluna Mirelle Pinheiro

Segundo o pedido, as provas reunidas no inquérito apontam Canella como articulador político do esquema criminoso investigado. Há indícios de que ele teria influenciado a indicação de cargos na cúpula da segurança pública para beneficiar o grupo e recebido dinheiro em espécie proveniente do esquema.

Na sexta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada em julho, a PF apreendeu R$ 919 mil em dinheiro vivo em endereços ligados ao político, além de valores em dólares. Um fuzil de uso restrito também foi encontrado no interior de seu veículo.

Ligação com milícias

O Ministério Público Eleitoral cita outros indícios de envolvimento de Canella com grupos milicianos. Quando era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), ele manteve em seu gabinete, até 2023, a esposa de um líder do grupo conhecido como Bonde do Jura.

De acordo com o parecer, ao assumir a Prefeitura de Belford Roxo, em 2025, o deputado nomeou para duas secretarias líderes de milícias da região. Um deles já havia sido condenado por constituição de milícia. Já o outro respondia a processo por extorsão e porte ilegal de arma e também foi condenado posteriormente.

Os dois participaram da campanha eleitoral de Canella neste ano, segundo o documento.

O parecer também aponta suspeitas sobre a operação Barricada Zero, realizada durante a gestão de Canella em Belford Roxo para remover obstáculos usados pelo tráfico de drogas. Segundo o MP, a ação teria envolvido acordos informais com o Comando Vermelho (CV).



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