A pausa de 15 dias deixou uma pergunta: como voltaria o CRB depois de três vitórias consecutivas?
A resposta apareceu na Ressacada. Voltou ainda mais forte fisicamente e, principalmente, repetindo um comportamento que passou a marcar essa fase com Fábio Matias: pressão constante sobre o portador da bola, compactação e poucos espaços para o adversário jogar confortável .
Não é exatamente com a bola que está a grande transformação.
O CRB já apresentava bons mecanismos de construção e organização ofensiva. Tem qualidade para sair jogando, jogadores capazes de acelerar pelos corredores e um trio ofensivo que, se não é o melhor da Série B, certamente está entre os melhores da competição.
O grande gol de Fábio Matias foi equilibrar o CRB sem a bola.
Hoje, quando perde a posse, basta observar o movimento coletivo. Em poucos segundos, praticamente os 11 jogadores estão atrás da linha da bola, próximos entre si, reduzindo os espaços efetivos do adversário e fechando linhas de passe.
Isso é defender como equipe.
E defender bem nunca foi responsabilidade apenas de laterais, zagueiros, volantes e goleiro.
O Avaí mostrou isso na prática. Daniel Penha fez uma partida de enorme nível, encontrou espaços, criou dificuldades e comandou boa parte das ações ofensivas dos catarinenses. Mesmo assim, o CRB suportou.
E aí aparece um personagem que merece destaque.
Vitor Caetano.
Já fiz críticas ao goleiro quando percebia insegurança em algumas atuações. Da mesma forma, é preciso reconhecer o momento atual. Aquela insegurança praticamente desapareceu. Vitor transmite confiança, toma decisões melhores e, na Ressacada, foi decisivo para preservar mais uma baliza zero.
Na frente dele, Bressan vai assumindo naturalmente a liderança do setor. Seguro defensivamente, experiente e ainda vivendo fase artilheira. Contra o ex clube, apareceu na área e decidiu. A velha lei do ex também resolveu trabalhar em Florianópolis.
Os números ajudam a contar essa transformação.
Nos cinco jogos de Fábio Matias:
Goiás, 2 a 2
Náutico, 2 a 1
Ceará, 1 a 0
Vila Nova, 2 a 0
Avaí, 1 a 0
São 8 gols marcados, apenas 3 sofridos e três partidas consecutivas sem levar gol. Quatro vitórias e um empate.
Não parece coincidência.
O CRB dificilmente passará muitos jogos sem marcar com a qualidade ofensiva que possui. O que estava impedindo o time de transformar desempenho em pontuação era o desequilíbrio quando não tinha a bola.
Matias mexeu justamente aí.
E Série B costuma deixar uma lição quase todos os anos: times que atacam bem ganham jogos. Times que defendem bem durante meses brigam pelo acesso.
A quarta vitória consecutiva colocou novamente o torcedor para sonhar. Agora vem um teste que aumenta ainda mais a temperatura: o Novorizontino, no Rei Pelé, confronto direto por um lugar no G6.
O CRB já tinha futebol para atacar.
Agora parece ter aprendido também a sofrer sem se desorganizar. E isso muda muita coisa numa Série B.




