Com a expansão da urbanização, veio um problema que atinge muitos lares brasileiros: a infestação de ratos. Considerados um tipo de praga urbana, os roedores não só causam medo devido ao receio de mordidas, mas também são vetores de doenças através de suas fezes e urina – o contato de humanos com os excrementos pode provocar condições como leptospirose, hantavirose, salmonelose e peste bubônica.
Em ambientes urbanos, três espécies de roedores são as mais difundidas: a Rattus norvegicus, Rattus rattus e a Mus musculus (o popular camundongo). A atração deles a cidades se dá por um motivo principal: a busca por alimentos, especialmente os dispostos nos lixos domésticos mal armazenados.
Segundo um boletim informativo da Prefeitura de São Paulo, os principais sinais de que há a presença de ratos em casa são:
- Presença de fezes, que podem ser identificadas como excrementos mais finos, com consistência firme e seca (o recomendado é não tocá-las, pois podem transmitir doenças);
- Rastros de caminhos, geralmente achados próximos a muros, paredes, atrás de materiais empilhados ou gramados;
- Manchas de gordura por paredes ou vigas, geralmente onde eles passam constantemente;
- Encontrar comidas ou objetos com roeduras;
- Detectar tocas, especialmente localizadas junto ao solo, muros ou entre plantas.
A qualquer evidência da presença de ratos é imprescindível tomar medidas para controlá-los, mas com o auxílio de profissionais capacitados para evitar contaminações. Isso porque os roedores se reproduzem com extrema facilidade. Sem cuidados, a infestação pode ocorrer com rapidez.
“Muitas vezes, quando a pessoa percebe o rato, o problema já está maior do que parece. Eles são animais noturnos e se escondem muito bem. Outro fator é a reprodução rápida. Em pouco tempo, um casal pode virar uma infestação”, alerta a doutora em saúde animal Luciana Rigueira, professora de medicina veterinária da Universidade Católica de Brasília (UCB).
O que fazer para controlar a invasão de ratos em casa?
Para controlar a presença dos animais, é necessário realizar uma série de medidas em conjunto. Também é importante ressaltar que eliminar os animais só resolverá o problema momentaneamente. O ideal também é manter o ambiente desfavorável para a proliferação dos roedores, realizando ações como:
- Evitar a exposição de restos de comida no lixo;
- Sempre manter os lixos da casa fechados, especialmente os que têm comida;
- Não acumular entulhos ou objetos no quintal, que podem servir de abrigo para os ratos;
- Vedar entradas pequenas da casa, como ralos, frestas, telhado e tubulações;
- Em alguns casos, utilizar armadilhas para ratos pode ajudar, porém é preciso tomar cuidado com as que têm veneno para não infectar pessoas ou animais domésticos.
“Se for uma infestação grande ou recorrente, o ideal é procurar uma empresa especializada. Isso garante um controle mais seguro e eficaz”, aponta Luciana.

É possível viver de forma harmoniosa com os ratos?
É quase um consenso que ninguém quer ter pragas urbanas por perto e com os ratos não é diferente. No entanto, é preciso ter ciência de dois fatores: primeiramente, assim com todos os animais, os roedores têm um papel importante na cadeia alimentar, além de ajudarem a decompor matéria orgânica; em segundo lugar, a chegada deles às cidades ocorreu por meio das ações humanas e da má gestão urbana.
Para a médica veterinária, tomando os cuidados necessários é possível que tanto humanos quanto ratos consigam ficar “no seu quadrado” e convivam de forma harmoniosa, sem prejudicar uns aos outros.
“Ainda que os ratos tragam imagens ruins para a população e até mesmo pavor, estes animais têm, sim, um papel importante na natureza. No fundo, o controle deles não é só uma questão da casa da pessoa, mas de saúde pública e organização do ambiente como um todo”, defende Luciana.

