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Pacientes com ELA podem levar até 16 meses para ser diagnosticados


Fraqueza para segurar objetos, tropeços recorrentes, cãibras frequentes e alterações na fala podem parecer problemas comuns, efeitos do envelhecimento ou até consequências do estresse.

Em alguns casos, porém, são os primeiros sinais da esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença neurodegenerativa que afeta os neurônios responsáveis pelos movimentos do corpo.

Neste domingo (21/6), Dia Mundial de Conscientização sobre a ELA, especialistas alertam para um dos maiores desafios relacionados à doença: o tempo necessário para chegar ao diagnóstico correto. Estudos internacionais indicam que muitos pacientes levam entre 10 e 16 meses para receber a confirmação da condição.

O que é a ELA?

De acordo com o Ministério da Saúde, a ELA é uma doença progressiva que provoca a degeneração dos neurônios motores, comprometendo gradualmente funções como caminhar, falar, engolir e respirar.

A condição costuma surgir entre os 55 e os 75 anos. Mais de 90% dos casos não têm causa conhecida, enquanto menos de 10% apresentam origem hereditária.

Apesar de afetar os movimentos, a doença geralmente não compromete a inteligência, a memória, a visão, a audição, o olfato, o paladar ou a sensibilidade ao toque.

Por que o diagnóstico demora?

Não existe um exame único capaz de confirmar o diagnóstico. Por isso, médicos precisam avaliar a evolução dos sintomas e descartar outras condições que podem provocar manifestações semelhantes.

“A ELA é uma doença de difícil diagnóstico. Não há um único teste que a confirme, então é um processo de investigação minucioso para descartar outras condições”, explica Paulo Sgobbi, neurologista especialista em doenças neuromusculares e membro do Departamento Científico de Doença do Neurônio Motor/ELA da Academia Brasileira de Neurologia.

A sobreposição de sintomas faz com que muitos pacientes passem por diferentes especialistas antes de chegar ao neurologista. Segundo a médica Inara Taís de Almeida, membro titular da Academia Brasileira de Neurologia, doenças neurológicas podem apresentar sinais parecidos.

“Nas fases iniciais, é importante uma avaliação especializada para diferenciar cada condição e definir o tratamento adequado para o paciente”, explica.

Nem toda fraqueza muscular significa ELA. Entretanto, quando há piora gradual dos sintomas ao longo do tempo, é importante investigar a causa e não atribuir automaticamente essas alterações ao envelhecimento, a problemas ortopédicos ou desordens emocionais”, afirma Sgobbi.


Principais sintomas de ELA

Os sintomas variam conforme a região inicialmente afetada, mas alguns sinais são considerados mais comuns:

  • Fraqueza progressiva em braços ou pernas;
  • Dificuldade para segurar objetos;
  • Tropeços e quedas frequentes;
  • Cãibras persistentes;
  • Contrações musculares involuntárias;
  • Alterações na fala;
  • Dificuldade para engolir.

Diagnóstico precoce ajuda no cuidado

Ainda não existe cura para a ELA, mas identificar a doença mais cedo permite que pacientes e familiares tenham acesso rápido ao acompanhamento especializado e ao suporte de uma equipe multidisciplinar.

“Quanto mais cedo a doença é identificada, mais rapidamente é possível organizar o cuidado e lançar mão das estratégias disponíveis para preservar a funcionalidade e oferecer melhor qualidade de vida ao paciente e à sua rede de apoio”, conclui Sgobbi.

Para os especialistas, ampliar o conhecimento sobre os sintomas é uma das formas mais eficazes de reduzir atrasos diagnósticos e facilitar o acesso ao tratamento e à reabilitação.



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