Desde que a pesca, a captura e o abate do pirarucu (Arapaima gigas) foi liberada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em localidades onde o animal é considerado invasor e regulamentada pelo Governo do Distrito Federal (GDF), a espécie exótica passou a chamar a atenção da população do DF.
Natural da Amazônia, o pirarucu é conhecido por ser um peixe de grande porte. “Ele pode ultrapassar 2 metros de comprimento e apresentar elevada força muscular.”, explica o diretor técnico da Associação de Pesca Esportiva, Subaquática e Conscientização Ambiental do DF (Apsshark-DF) e integrante do Instituto Peixes da Caatinga, o biólogo, Paulo Franco
Outra peculiaridade é a reprodução do animal: a fêmea da espécie pode depositar cerca de 180 mil ovos, distribuídos em diferentes ninhos. O ciclo ocorre predominante entre os meses de novembro e maio, período correspondente à estação chuvosa, em ambientes de águas rasas.
Durante esse período, os casais formados constroem ninhos em substrato arenoso, geralmente com diâmetro variando entre 20 e 40 cm. “A espécie apresenta cuidado parental intenso. Após a desova, a fêmea libera ovos de coloração esverdeada, que são fertilizados externamente pelo macho. Este assume a proteção do ninho e dos ovos, mantendo-se em ambientes lênticos e de águas calmas”, contou.
Após a eclosão, os alevinos permanecem agregados, formando nuvens ao redor da cabeça do macho, que continua exercendo proteção por aproximadamente três meses.
Enquanto cuida dos ovos, observa-se a alteração na coloração do macho, que se torna mais escuro, possivelmente como estratégia de camuflagem. A maturidade sexual é atingida entre três e cinco anos de idade, quando os indivíduos apresentam massa corporal variando entre 30 kg e 80 kg.
Veja:


Medida foi publicada em 19 de março
Síglia Regina dos Santos Souza/Embrapa

Espécie é nociva quando encontrada fora da bacia Amazônica, segundo especialistas
Sedam-RO/Divulgação

Pirarucu encontrado no Lago Paranoá
Reprodução

Pescador deverá matar o peixe após capturá-lo
Moisés Zorzeto/Arquivo pessoal

Ibama autorizou pesca de pirarucus no Lago Paranoá e em outras regiões do país
Embrapa/Divulgação

Pirarucu
MMA/Divulgação
Gigante da Amazônia
O nome pirarucu tem origem na língua tupi, significando “peixe vermelho” (pira = peixe; urucum = vermelho), em referência à coloração avermelhada observada principalmente na região da cauda.
Apresenta respiração aérea obrigatória, possuindo uma bexiga natatória altamente modificada, com função semelhante a um pulmão primitivo, o que permite a sobrevivência em ambientes com baixos níveis de oxigênio dissolvido.
Morfologicamente, caracteriza-se por corpo alongado, coloração predominantemente escura, variando entre verde e ocre, com tons avermelhados na região caudal. Possui escamas espessas e resistentes, além de uma cauda marcadamente avermelhada.
Pesca no DF
A decisão do Ibama autoriza a pesca, a captura e o abate do pirarucu quando a espécie for encontrada em 11 bacias espalhadas pelo país. Duas delas são a Região Hidrográfica do Paraná e a Região Hidrográfica do São Francisco. No DF, há seis bacias dentro das regiões hidrográficas do Paraná e do São Francisco.

A bacia hidrográfica do Maranhão, que passa pela região Norte do DF, não está inclusa na instrução normativa do Ibama.
Pesca em Goiás
Em Goiás, as regras variam conforme a bacia hidrográfica — divisão que leva em conta o conjunto de rios e as características ambientais de cada região.

Nas bacias do Paranaíba e do São Francisco, que abrangem principalmente áreas do Sul, Sudoeste e Leste do estado, o pirarucu não é nativo. Nessas regiões, a espécie foi introduzida e passou a ser considerada invasora. Por isso, estão liberadas a pesca, a captura e o abate durante todo o ano, sem limite de tamanho ou quantidade.
Nesses casos, há uma regra obrigatória: todo exemplar capturado deve ser abatido, sendo proibida a devolução à água.
Já na bacia Tocantins-Araguaia, que cobre o Norte e Nordeste goiano e inclui rios como o Araguaia, o pirarucu é naturalmente do ambiente. Por fazer parte do ecossistema local, a pesca segue proibida, como forma de preservação da espécie.
Confira os detalhes já conhecidos
- No que diz respeito ao DF, todo pescador amador e profissional que pescar pirarucus no Lago Paranoá e nas bacias do Rio Descoberto, Rio Corumbá, Rio São Bartolomeu e Rio São Marcos deverá abater o peixe.
- A bacia hidrográfica do Maranhão, que passa pela região norte do DF, não está inclusa na instrução normativa do Ibama. Portanto, a pesca predatória não está permitida.
- Já no Estado de Goiás, por exemplo, a pesca está liberada nas bacias do Parnaíba e do São Francisco.
- O pescador não poderá devolver o pirarucu à água. Em caso de captura, agora há a obrigação de abater o animal.
- Não há limites de quantidade e peso para a pesca. O pescador pode capturar e abater quantos pirarucus quiser, independentemente do peso de cada um.
- A instrução normativa é válida pelos próximos três anos. Findado o período, o Ibama poderá reavaliar a ordem para verificar se o controle da espécie foi concluído.




