Uma sala trancada, um saco de lixo recheado com celulares, armas pertencentes a pessoas de fora da Polícia Civil e quase R$ 20 mil em espécie dentro de um cofre.
Foi esse o cenário encontrado pela Corregedoria da Polícia Civil durante uma diligência no 1º DP de Barueri, na Grande São Paulo. A vistoria ocorreu no contexto de uma apuração aberta após uma denúncia anônima recebida em 11 de outubro de 2024, sobre uma carga de celulares apreendida por policiais da unidade. O registro do flagrante foi formalizado no dia seguinte.


Em mensagem, advogado fala sobre pagamento de “acerto” com policiais
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Advogado Sidiclei da Costa Almeida
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Investigador José Adriano Pereira da Silva Nishi
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Policial Civil Bruno Moreno dos Santos
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Viatura escolta carga em rodovia de SP
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Carro a Polícia Civil durante escolta de carga de descaminho
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Parte da propina era paga em dinheiro vivo
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Policial civil Vagner Ramalho
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Empresário Thiago Marcel Magnabosco
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Celulares no saco de lixo
Dentro de um saco de lixo, em uma sala trancada, os corregedores localizaram 49 celulares lacrados. Segundo os documentos, obtidos pela coluna, os aparelhos eram dos mesmos modelos e marcas daqueles relacionados a uma carga formalmente apreendida pela delegacia.
A sala era vinculada ao investigador-chefe Marcos Vinicius de Souza Melo (imagem em destaque), preso nesta sexta-feira (28/8) em uma operação conjunta do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da da Corregedoria Geral da Polícia Civil.
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do Metrópoles
Sobre a mesa dele havia outros seis celulares também lacrados. Chamado para acompanhar a vistoria, Marcos Vinicius não compareceu pessoalmente. De acordo com a investigação, ele se limitou a fornecer, de forma remota, a senha eletrônica necessária para que os corregedores entrassem no ambiente.
Armas no cofre e R$ 19 mil
Os achados não terminaram nos aparelhos. No cofre de armamento daquela mesma sala, a Corregedoria encontrou dois revólveres calibre 38 pertencentes a terceiros, estranhos à unidade policial, além de R$ 19.577 em espécie, quantia para a qual, segundo os autos, não foi apresentada justificativa. A apreensão das armas resultou inclusive em registro por posse irregular de arma de fogo.
Em outra sala, usada pela equipe do policial Vagner Ramalho — foragido até a publicação desta reportagem — , os corregedores encontraram as luzes acesas, o ar-condicionado ligado e um computador com o WhatsApp Web aberto e desbloqueado. Na mesa havia ainda cerca de R$ 4 mil em dinheiro e três celulares.
Para o Gaeco, os achados reforçam as suspeitas de que policiais utilizavam a própria estrutura estatal em um esquema envolvendo apreensões incompletas de cargas de eletrônicos e cobrança de propina para devolução das mercadorias.
Até o momento, foram presos sob a suspeito e compor o esquema de desvio de cargas os policiais civis Bruno Moreno dos Santos, José Adriano Pereira da Silva Nishi e Marcos Vinicius de Souza Melo, o advogado Sidiclei da Costa Almeida e o empresário Jonathan Renan Vieira.
A defesa deles não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.




