Senador repetiu no Salão Oval promessas feitas no Texas e evitou falar com jornalistas sobre investigações no Brasil.
Em outras palavras, o resumo do que Flávio Bolsonaro diz que conversou ou quis transmitir ao presidente Donald Trump, em reunião na Casa Branca, resume-se a: “Se você me ajudar a ser eleito, o Brasil será seu”. A fala foi uma repetição das promessas feitas por Flávio no maior encontro de conservadores americanos, realizado em Dallas, no Texas, no final de março passado. Eduardo, seu irmão, estava com ele nas duas ocasiões, assim como Paulo Figueiredo, assessor de Eduardo e neto do último general ditador do Brasil, João Baptista Figueiredo.
Os jornalistas não tiveram permissão para entrar no Salão Oval, onde Trump e Flávio posaram para uma foto. Na imagem, Trump aparece sentado à sua mesa de despachos, sorrindo, enquanto Flávio está de pé ao seu lado, ligeiramente inclinado na direção do americano. O momento foi registrado por um fotógrafo a serviço de Flávio e de seus acompanhantes. Mais tarde, Eduardo postou no X (antigo Twitter) que a foto não era falsa, e Flávio informou que a reunião durou 1h40. No entanto, a Casa Branca não emitiu nenhuma nota oficial a respeito, e a CNN Brasil informou que a conversa de Flávio com Trump “foi relativamente rápida”.
Tudo o que se conseguiu saber foi por meio do próprio Flávio, em uma entrevista coletiva concedida à imprensa brasileira em uma casa de eventos. Logo no início, os jornalistas foram advertidos por um membro da equipe do senador: “Ele só responderá a perguntas sobre o que se passou aqui. Se insistirem em perguntar sobre outros assuntos, a entrevista será suspensa”. Quando um jornalista questionou sobre o “Caso Master”, Flávio o interrompeu: “Já falei tudo o que tinha de falar sobre isso. Não tenho absolutamente mais nada a esclarecer”. Que tem a esclarecer, tem, e muita coisa, mas, pelo jeito, não o fará.
Em seguida, Flávio relatou ter dito a Trump que, caso seja eleito presidente, os Estados Unidos contarão com um aliado no Brasil a partir de 2027. Afirmou também que os dois países farão acordos comerciais que, de fato, contemplem os interesses mútuos. Além disso, declarou que o Brasil se aliará a nações da América Latina dispostas a cerrar fileiras com os norte-americanos na defesa de seus territórios. Por fim, pediu a Trump que considere o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
“Vamos libertar essas pessoas [que vivem sob o domínio de facções] fazendo sim acordos com diversos países, não apenas com os Estados Unidos, como também na América Latina, Israel e na Europa” defendeu Flávio. “Em vez de alinhamentos ideológicos com ditaduras e regimes autoritários, o que o Brasil precisa são parcerias estratégicas que enriqueçam o nosso povo, gerem empregos, tragam investimento, tecnologia e segurança”. Sobrou ainda para a China: Flávio classificou o Brasil como a “única alternativa real à China para um mundo livre”.
O dia de Flávio foi exaustivo. Trancado em um hotel a curta distância da Casa Branca, o encontro só foi confirmado em cima da hora marcada. Ele chegou ao local levando uma camisa da Seleção Brasileira para presentear Trump, mas a segurança presidencial não permitiu a entrada do objeto no Salão Oval. Flávio ainda tomou um “chá de cadeira” antes de ser chamado. No começo da conversa, Trump perguntou sobre o estado de saúde de Jair Bolsonaro e quis saber detalhes de sua prisão domiciliar. Flávio voltará ao Brasil amanhã com a sensação de missão cumprida. Se isso trará resultados futuros? Ninguém sabe.



