A ex-secretária da Confederação Nacional dos Agricultores e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), uma das ONGs investigadas no caso que ficou conhecido como a farra do INSS, “foi uma das pessoas físicas de maior destaque no fluxo financeiro da organização criminosa”, de acordo com a Polícia Federal (PF). A mulher recebeu R$ 4,1 milhões da ONG e de envolvidos no crime.
Segundo a PF, os repasses para Iris Ferreira Rodrigues foram feitos por meio de empresas de fachada pertencente a Samuel Crisóstomos, contador da Conafer, e a Cícero Marcelino, assessor do presidente da ONG.
De acordo com a corporação, “a materialidade da lavagem de dinheiro envolvendo pagamentos a Isis é comprovada pelo uso de fundos desviados da fraude em massa para pagar carro de luxo e quitar dívidas da mulher com agiotas, a mando de Carlos Roberto Ferreira Lopes (foto em destaque)”, presidente da Conafer.
As informações constam no inquérito da Polícia Federal que indiciou 48 pessoas pelas fraudes nos benefícios de aposentados e pensionistas. Segundo a PF, a investigação focou no núcleo da Conafer, acusada de desviar mais de R$ 708 milhões da seguridade social.
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do Metrópoles DF
Conforme o documento, Carlos e Iris tiveram um caso extraconjugal, e o presidente da Conafer teria presenteado a mulher com uma fazenda, uma casa no Distrito Federal – avaliada em mais de R$ 2 milhões, além de uma Toyota Hilux. Durante o período em que estiveram juntos, a mulher permaneceu no cargo de secretária da confederação recebendo salário líquido de R$ 15 mil.
“Sua posição como secretária e o relacionamento com o líder Carlos Roberto resultaram em vantagens financeiras, incluindo o pagamento de dívidas pessoais e a aquisição de bens de luxo pelas empresas de fachada da organização criminosa. A tentativa de silenciamento através de pagamentos reforça a materialidade dos crimes de lavagem e a consciência dos líderes sobre a ilicitude da sua riqueza”, consta no inquérito.
Término do caso extraconjugal
Quando o caso entre os amantes chegou ao fim, Carlos teria parado de pagar as parcelas do carro de Iris, motivo pelo qual a mulher procurou um agiota para conseguir quitar a dívida, conforme apontam mensagens obtidas pela polícia.
Desesperada, Iris teria ameaçado expor o que sabia sobre a “riqueza e vida boa” da família de Carlos, caso o presidente da Conafer não arcasse com as parcelas. Ela também chegou a procurar a esposa do presidente da ONG, a empresária Bruna Braz, para pedir ajuda. Na mensagem encaminhada à Bruna, Iris citou outra amante de Carlos e a identificou apenas como “a que matou uma criança” e que “Carlos pagou milhões para um juiz soltá-la”.
Iris informou, ainda, que entrou em depressão e passou a ingerir remédios psiquiátricos para amenizar os danos que o presidente da instituição teria “caudado com suas traições, mentiras e manipulações”.

Após as ameaças, Carlos imediatamente pediu que o assessor dele, Cícero Marcelino, depositasse os valores na conta de Iris referentes a dívida com um agiota e liquidação de parcela de um carro no valor de R$ 300 mil. Conforme o inquérito, o montante foi passado por Cícero a Iris por meio de uma empresa de fachada, “configurando crime de lavagem de dinheiro”, segundo a PF
Nas mensagens trocadas entre Cícero e Carlos, a respeito do pagamento da ex-secretária, o assessor xinga Iris de “idiota, puta, ingrata” fala em “fazer ela virar saudade”.

Segundo informou a Polícia Federal, no documento, dados extraídos mostram que Iris tinha consciência de que a fraude havia sido interrompida pela corporação. Em maio de 2025, a ex-secretária encaminhou um áudio a outro investigado relatando que Cícero havia ligado para avisar que ela estava sendo investigada devido às transferências bancárias mensais que recebia de Carlos, por intermédio dele.
Mensagens obtidas pela polícia também comprovam que a mãe de Iris, identificada como Claudilene, foi responsável por recolher diversos “cadastros” de indígenas. Após a operação policial vir à tona, as lideranças indígenas da etnia Maxakali enviaram áudios chamando Claudilene de ladra, exigindo a devolução dos cadastros e ameaçando linchá-la.
Iris foi alvo de operação da Polícia Federal em 13 de novembro de 2025. Dois dias depois, ela foi encontrada sem vida em casa. Segundo o boletim de ocorrência, Iris teria tirado a própria vida.




