Senado: ministras de Lula e disputa bolsonarista acirram eleição em SP


A disputa ao Senado Federal nas eleições de 2026 vai levar à renovação de dois terços da Casa e, como novidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) está no centro dessa competição, com marcas vindas do 8 de Janeiro de 2023 e da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

De um lado, bolsonarista, a conquista das cadeiras seria uma chance de afastar ministros do STF, uma vez que o processo de impeachment dos magistrados depende do voto de senadores. O interesse existe porque seria a instância de Poder inimiga.

Do outro, governista, a estratégia seria barrar o avanço de radicais capazes de promover abalos institucionais no Congresso Nacional.

Em São Paulo, o campo está embolado nos dois sentidos, com demanda maior que a oferta e disparos de fogo amigo. Enquanto uma margem tem nomes da direita bolsonarista adepta a ataques ao STF, a outra dispõe no front de duas ex-ministras do governo Lula bem posicionadas, segundo pesquisas.

“Isso que está em jogo nessa eleição. Uma das estratégias da direita é conseguir não só mudar a forma como se escolhem os ministros do STF, como também formar uma maioria para promover o impeachment [deles]”, diz o cientista político e professor da ESPM, Paulo Ramirez.

Chapa do governador

Na chapa à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), há ao menos seis opções de olho nas duas cadeiras disponíveis: o deputado federal Guilherme Derrite (PP); o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles (Novo), o vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL); o deputado federal Mario Frias (PL-SP); e os deputados estaduais André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, e Gil Diniz (PL).

O nome de Mello Araújo é o preferido do ex-presidente Jair Bolsonaro. “O cargo é muito importante. O presidente Bolsonaro que tem a preferência e, se vingar, vou para fazer a diferença. Se não, talvez seja um livramento. Mas seja lá quem for, vai fazer um bom trabalho”, afirmou ao Metrópoles.

Nas últimas semanas, a articulação pela indicação de André do Prado esquentou a corrida. Ele vai aos Estados Unidos nos próximos dias, pelas mãos do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tentar emplacar com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro seu nome na disputa. O movimento, no entanto, incomodou os bolsonaristas mais praticantes.

“A estratégia da direita é povoar o máximo possível o Senado [Federal] e a Câmara [dos Deputados]. Claro que isso cria uma disputa interna, mas não o suficiente para que a campanha ao Senado, por exemplo, prejudique a campanha presidencial”, diz Ramirez.

Chapa de Haddad

Já na chapa do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo, o congestionamento rumo ao Senado envolve, até o momento, três ex-ministros de Lula: Simone Tebet (PSB), Marina Silva (Rede) e Márcio França (PSB).

O ex-governador de São Paulo do PSB se antecipou, em passo turbulento, ao anunciar um nome para a suplência de sua pré-candidatura. Marina já recebeu, inclusive, apoio explícito do PSol para sua campanha. Dos três, Simone e Marina são os nomes que pontuam melhor nas pesquisas eleitorais recentes.

A avaliação interna na campanha de Haddad, segundo apurou o Metrópoles, é de que tanto Marina quanto Tebet terão um papel importante durante a campanha no interior do estado, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

“A estratégia é de conseguir com mais candidatos e diluir os votos da direita. Conseguir votos pela popularidade, não pelo discurso radical. Por exemplo, Simone Tebet e Marina Silva tendem a atrair mais o voto do eleitor moderado e também são formas de neutralizar Derrite e Ricardo Salles”, acrescenta Ramirez.

As eleições estão marcadas para 4 de outubro deste ano. No primeiro turno, eleitores devem votar em dois candidatos ao Senado Federal. Também serão escolhidos deputado estadual, deputado federal, governador e presidente.



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