O Ministério Público da Bahia recomendou a suspensão de um contrato de R$ 800 mil para apresentação do cantor Natanzinho Lima na 40ª Vaquejada de Formosa do Rio Preto, cidade do oeste do estado. O evento está previsto para acontecer entre os dias 28 e 31 de maio. A recomendação foi publicada após o órgão identificar indícios de incompatibilidade entre o valor contratado e os modelos de mercado.
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Segundo o promotor de Justiça Daniel Auto de Albuquerque, a média dos cachês do artista em municípios baianos durante o São João de 2025 foi de aproximadamente R$ 604 mil, podendo chegar a cerca de R$ 624 mil com atualização monetária. “O valor contratado pelo município representa um acréscimo de cerca de 28%”, destacou.
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Diante disso, o MP orientou que a prefeitura suspenda o contrato e interrompa qualquer pagamento até que sejam apresentados documentos que comprovem a regularidade da contratação.
Entre as exigências estão:
- o envio do processo completo de inexigibilidade de licitação
- justificativa do preço
- demonstração financeira do município
- e análise do impacto da despesa nas contas públicas.
O órgão também ressalta que contratações com valores elevados exigem justificativas mais rigorosas, com comprovação de compatibilidade com o mercado e demonstração clara do interesse público. A recomendação leva em consideração dados do Painel de Transparência dos Festejos Juninos, ferramenta criada para monitorar gastos com eventos nesse período.
Entre os cachês mais altos, além de Natanzinho Lima, aparecem na lista também nomes como dupla Maiara e Maraísa, e os cantores Felipe Amorim, Amado Batista e Eric Land.
A população também pode denunciar irregularidades por meio dos canais de atendimento do Ministério Público da Bahia. Sobre a recomendação do contrato em Formosa do Rio Preto, a gestão tem 10 dias para decidir se acata a recomendação. A CNN Brasil tentou contato com a Ascom da Prefeitura e aguarda retorno.
Proximidade do São João
O caso acende um alerta justamente às vésperas do período junino, quando cidades de todo o interior da Bahia intensificam a programação de festas. É nesse contexto que cresce também a fiscalização sobre os contratos firmados pelas prefeituras.
Enquanto músicos locais defendem maior valorização de artistas da região e grupos menores, gestores municipais argumentam que grandes atrações são fundamentais para atrair público e movimentar a economia nas cidades. Ainda assim, contratos com cachês elevados seguem sob suspeita quando não apresentam justificativas claras ou indícios de sobrepreço.
Transparentômetro
Diante disso, o MPBA realiza nesta quarta-feira (29) uma reunião com órgãos de fiscalização para dar início às ações do Painel de Transparência dos Festejos Juninos 2026. A iniciativa prevê novas regras, critérios de avaliação e o uso do chamado “Transparentômetro”, que vai permitir acompanhar, em tempo real, os gastos declarados pelas prefeituras.
Defesa do cantor
A CNN Brasil entrou em contato com a assessoria de Natanzinho Lima, que informou que não vai se declarar.



