Ex-prefeito de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, Acir Filló tenta embarcar no sucesso da série “Tremembé”, do Prime Video, para derrubar na Justiça de São Paulo a proibição de seu livro. Filló é um dos ex-detentos do presídio retratados no seriado, e a obra escrita por ele, inclusive, aparece em um dos episódios.


Elenco da série Tremembé
Divulgação/Prime Video

Ex-prefeito tenta usar série “Tremembé” para liberar na Justiça livro proibido
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Diário de Tremembé teve sua circulação proibida por decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que manteve a censura definida em primeira instância em 2019.
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Marina Ruy Barbosa, Leticia Rodrigues e Carol Garcia em Tremembé
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Daniel (Felipe Simas) e Cristian Cravinhos (Kelner Macêdo) em Tremembé
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Kelner Macêdo e Felipe Simas como os irmãos Cravinhos em Tremebé, do Prime Video
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Na ação, à qual o Metrópoles teve acesso, o ex-prefeito afirma que a série apresenta “múltiplas correspondências específicas” com o livro “Diário de Tremembé”, lançado por ele, em 2019, como “estrutura narrativa, arco dramático e cenas/diálogos”. Por isso, “seria um contrassenso manter a proibição de circulação de livro cuja temática e autoria já foram amplamente projetadas e normalizadas no audiovisual”, argumenta a defesa de Filló.
Os advogados ainda alegam que “a própria realidade de circulação pública ampla e recente de conteúdo substantivamente sobreponível — por meio da série “Tremembé” — quebra a eficácia da medida”. Esta não é a primeira vez que Acir Filló aciona a Justiça para tentar liberar a publicação, distribuição e comercialização da obra.
O ex-prefeito de Ferraz foi condenado a quase 20 anos de prisão pelos crimes de fraude e desvios. Desde 2022, ele cumpre pena em regime aberto. No seriado do Prime Video, Filló é interpretado pelo ator Marcos de Andrade, a quem chamou de “feio”. “O ator que me interpreta é muito talentoso. Mas ele é feio, e eu sou um homem bonito. Queria que chamassem o Fabio Assunção, que é galã e tem a minha idade”, declarou em uma entrevista.
Foi durante o período em que esteve preso na Penitenciária II “Dr. José Augusto Salgado” de Tremembé que Acir Filló escreveu seu livro, que tem como personagens autores de crimes de grande repercussão no país, como: Alexandre Nardoni, Cristian Cravinhos, Lindenberg Alves, Mizael Bispo Souza e Roger Abdelmassih.
Pouco depois do lançamento, a juíza Sueli Zeraik de Oliveira Armani, do Departamento Estadual de Execução Criminal (Deecrim) de São José dos Campos, determinou a suspensão do conteúdo, considerado “sensacionalista”. Na decisão, a magistrada afirma que de todos os detentos citados na obra, apenas três deles concederam autorização de uso de imagem, e dois deles acusaram o autor de não ter sido fiel aos relatos.
“Restou bastante evidenciado que o mesmo agiu de forma torpe, pois se valeu de conversas mantidas no interior do cárcere com personagens distintos, dos quais buscou ganhar a confiança para então se utilizar de informações neste contexto transmitidas e, deturpando-as completamente, produzir obra de cunho claramente sensacionalista, locupletando-se em prejuízo alheio”, escreveu a juíza.
Em conversa com o Metrópoles, Acir Filló se defendeu: “Cerca de seis livros já foram publicados sobre Tremembé, parecidos com o meu, e nenhum deles foi censurado. A série teve repercussão nacional e internacional e não foi censurada. Por que apenas o meu livro? Em relação à questão do sensacionalismo, o livro não é sensacionalista. O livro é realidade. Porque eu não sou um jornalista, um escritor que escreveu à distância. Eu convivi em Tremembé por três anos. Três anos com todos esses presos famosos pelos crimes terríveis que cometeram. Eu convivi com todos eles. Eu entrevistei todos eles”.



