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Vorcaro diz que mãe recebeu ameaças de morte por e-mail e telefone


O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, afirmou, em depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que sua mãe e irmã foram ameaçadas. “Receberam inúmeras ameaças de morte e falaram que eu seria morto”, disse Vorcaro ao juiz auxiliar de Mendonça.

Ele prestou depoimento no dia 27 de agosto, diretamente da Papudinha onde está preso preventivamente. A oitiva foi conduzida por João Azambuja, juiz auxiliar do gabinete de Mendonça e foi acompanhada por dois advogados de Vorcaro, Daniel Bialski e Engels Muniz, além de integrante do Ministério Público Federal.

Na ocasião, o juiz perguntou a Vorcaro:

  • Juiz: O senhor tomou conhecimento alguma de intimidação à pessoa da sua família ou pessoa próxima ao senhor? Fora essas que foram diretamente do senhor.
  • Vorcaro: Minha mãe está em casa com a minha irmã, que está sozinha, porque não existe um homem, todos estão presos. Receberam inúmeras ameaças de morte e falaram que eu seria morto. Tem e‐mails, inclusive, depois a gente pode entregar e‐mails de morte, ameaçando morte.
  • Vorcaro: Hoje, a minha família está destruída. Pra te falar a verdade…
  • Juiz: Eu só estou querendo entender, senhor Daniel, essas ameaças que o senhor falou da sua mãe são relevantes para a finalidade dessa audiência. Então, eu quero detalhar, se o senhor puder detalhar, como isso aconteceu.
  • Vorcaro: Ela recebeu e‐mails falando que eu ira morrer, que não sei o quê, que iria acontecer coisas comigo, recebeu ligações…
  • Juiz: E quem mandou esses e‐mails?
  • Vorcaro: Anônimo. Todos anônimos.

Nesta quarta-feira (3/9), a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favorável ao arquivamento de uma petição aberta após o banqueiro Daniel Vorcaro relatar supostas ameaças e intimidações.

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da Coluna Manoela Alcântara

Segundo Paulo Gonet, o depoimento do ex-banqueiro prestado ao gabinete do ministro não apresentou fatos concretos nem elementos mínimos que justificassem a adoção de medidas investigativas.

Em parecer, Gonet afirmou que a proposta de colaboração premiada apresentada pela defesa de Vorcaro já havia sido rejeitada pela PF e pela própria PGR, porque as informações oferecidas não acrescentavam elementos inéditos à investigação.

Segundo o procurador-geral, cabe aos órgãos responsáveis pela investigação e pela acusação avaliar a conveniência de um acordo de colaboração a partir da utilidade das provas apresentadas.

“Na espécie, o indeferimento formalizado pela autoridade policial em ato fundamentado respaldou-se justamente na ausência de acréscimo informativo de natureza inédita, conclusão reiterada por esta Procuradoria-Geral da República que, ao examinar o acervo ofertado, igualmente recusou o pacto ante a manifesta debilidade de seu conteúdo”, escreveu Gonet.

Para o procurador-geral, o novo depoimento também não apresentou provas capazes de alterar os fundamentos da rejeição da colaboração ou demonstrar que a recusa tenha sido indevida.

Gonet acrescentou, ainda, que o banqueiro não conhece todo o conjunto de provas reunido no inquérito. Por isso, informações consideradas inéditas pelo banqueiro podem já estar em poder dos investigadores, o que reduziria sua utilidade em uma eventual negociação.



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