Uma combinação experimental de dois medicamentos melhorou os movimentos de camundongos com alterações semelhantes às da doença de Parkinson.
A estratégia reproduz alguns efeitos do ar rarefeito das montanhas ao reduzir a quantidade de oxigênio que chega aos tecidos, inclusive ao cérebro. Os resultados foram publicados em nove de outubro na revista científica PNAS.
O tratamento começou quando os animais já apresentavam dificuldades motoras. Após receberem os compostos, eles passaram a descer mais rapidamente por uma haste e conseguiram permanecer agarrados à tampa de uma gaiola por mais tempo, dois testes utilizados para avaliar os movimentos.
Por que reduzir o oxigênio
A proposta parte de um desequilíbrio associado ao funcionamento das mitocôndrias, estruturas que utilizam oxigênio para produzir energia nas células. Quando elas não trabalham adequadamente, a oferta de oxigênio pode superar a capacidade de utilização, favorecendo danos aos tecidos.
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do Metrópoles Saúde e Ciência
No Parkinson, o acúmulo da proteína alfa-sinucleína pode prejudicar as mitocôndrias. A equipe investigou, então, uma maneira de diminuir a entrega de oxigênio para aproximá-la da quantidade que as células conseguem consumir. A combinação reúne duas substâncias com funções complementares:
- GBT601: aumenta a capacidade da hemoglobina, proteína do sangue, de reter oxigênio, diminuindo a liberação para os tecidos.
- PT2399: limita a resposta compensatória do organismo, que poderia produzir mais glóbulos vermelhos para aumentar o transporte de oxigênio.
Nos experimentos, a associação conseguiu reduzir o oxigênio no tecido cerebral sem provocar o aumento da hemoglobina observado com o GBT601 isoladamente.


Parkinson é uma doença neurológica caracterizada pela degeneração progressiva dos neurônios responsáveis pela produção de dopamina
KATERYNA KON/SCIENCE PHOTO LIBRARY/ Getty Images

Esse processo degenerativo das células nervosas pode afetar diferentes partes do cérebro e, como consequência, gerar sintomas como tremores involuntários, perda da coordenação motora e rigidez muscular
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Outros sintomas da doença são lentidão, contração muscular, movimentos involuntários e instabilidade da postura
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Em casos avançados, a doença também impede a produção de acetilcolina, neurotransmissor que regula a memória, aprendizado e o sono
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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), apesar de a doença ser conhecida por acometer pessoas idosas, cerca de 10% a 15% dos pacientes diagnosticados têm menos de 50 anos
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Não se sabe ao certo o que causa o Parkinson, mas, quando ocorre em jovens, é comum que tenha relação genética. Neste caso, os sintomas progridem mais lentamente, e há uma maior preservação cognitiva e de expectativa de vida
Visoot Uthairam/ Getty Images


O Parkinson não tem cura, mas o tratamento pode diminuir a progressão dos sintomas e ajudar na qualidade de vida. Além de remédio, é necessário o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar. Em alguns casos, há possibilidade de cirurgia no cérebro
Andriy Onufriyenko/ Getty Images
Melhora após o início dos sintomas
Para provocar alterações semelhantes às do Parkinson, os cientistas injetaram agregados de alfa-sinucleína no cérebro dos camundongos. Seis semanas depois, começaram a administrar os medicamentos diariamente por via oral, mantendo o tratamento por outras seis semanas.
Além da melhora motora, a combinação reduziu o excesso de oxigênio cerebral e um marcador de danos às gorduras presentes no tecido. Uma medida de comportamento semelhante à ansiedade, porém, não melhorou.
Nos animais de controle avaliados durante seis semanas, os pesquisadores também não identificaram sinais de hipertensão pulmonar, uma complicação associada à exposição prolongada a ambientes com pouco oxigênio.
Os achados demonstram efeitos da combinação em modelos animais e abrem caminho para novas avaliações, mas ainda não estabelecem sua eficácia para tratar pessoas com Parkinson.



