O chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, defendeu que uma mulher ocupe pela primeira vez a Presidência do país. A declaração foi feita nessa segunda-feira (2/11), durante uma reunião fechada com dirigentes da União Democrata Cristã (CDU), partido de Merz, em Berlim.
“Minha decisão está tomada em um ponto: tem que ser uma mulher”, afirmou o chanceler, segundo relatos de participantes do encontro à imprensa alemã. Merz também anunciou que pretende apresentar à legenda uma candidata de consenso, identificada com o centro político.
A escolha ocorre em meio à crescente pressão para que uma mulher suceda Frank-Walter Steinmeier, que ocupa o cargo desde 2017 e não pode disputar um terceiro mandato consecutivo. A eleição está marcada para 30 de janeiro de 2027, e o novo presidente deverá assumir em março.
Disputa pela indicação
Merz defende que a CDU, por ser a maior força na Convenção Federal — órgão responsável pela eleição presidencial —, tenha o direito de indicar a candidata do bloco conservador. A posição contrasta com a iniciativa da União Social Cristã (CSU), partido aliado da CDU na Baviera, que lançou o nome de Ilse Aigner, presidente do Parlamento estadual.
Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles
Aigner é considerada uma figura capaz de dialogar entre diferentes partidos e conta com apoio de integrantes do Partido Social-Democrata (SPD) e dos Verdes. Entre os nomes cotados na CDU estão a presidente do Bundestag, Julia Klöckner; a ministra da Educação, Karin Prien; a ex-ministra da Defesa Annegret Kramp-Karrenbauer; e a líder da bancada democrata-cristã em Hesse, Ines Claus.
Uma definição pode começar a ser construída em 9 de novembro, quando os principais órgãos da CDU voltarão a se reunir. Até lá, Merz pretende conversar com lideranças regionais do partido e da CSU.
Pressão por uma mulher no cargo
A ex-chanceler Angela Merkel também apoiou recentemente a possibilidade de uma mulher assumir a Presidência alemã. Em entrevista à MagentaTV, ela afirmou que o país deveria se perguntar se “talvez não tenha finalmente chegado a hora” de uma mulher ocupar o posto.
Em 77 anos de história da República Federal da Alemanha, todos os presidentes foram homens. Embora o cargo tenha funções principalmente representativas, o chefe de Estado exerce papel institucional importante, incluindo a assinatura de leis e tratados e a nomeação formal de ministros.
A Convenção Federal que escolherá o sucessor de Steinmeier será composta por 1.260 integrantes: os 630 deputados do Bundestag e o mesmo número de representantes indicados pelos 16 estados alemães.



