Um inquérito policial instaurado pela 3ª Delegacia de Polícia (Cruzeiro) desmistificou, na tarde desta quarta-feira (14/10), um boato que gerou apreensão e pânico em milhares de moradores do Distrito Federal. A publicitária Renata Ghedinim intimada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e ouvida em termo de declaração após gravar e publicar um vídeo no Instagram, alertando sobre a suposta atuação de uma “quadrilha de sequestro de crianças para tráfico infantil” que estava atuando em Brasília, mais especificamente em um grande shopping da capital da república e no Parque da Cidade.
Segundo a investigação da PCDF, as alegações feitas no vídeo não possuem qualquer embasamento verídico, se tratando de fake news. A corporação apurou que não existem boletins de ocorrência registrados sobre as situações narradas, tampouco imagens de segurança que confirmem as suspeitas. Não há qualquer investigação em andamento apurando tentativa de crimes ligados ao tráfico de pessoas em nenhum ponto do DF.
No vídeo que circulou massivamente em aplicativos de mensagem e redes sociais, a publicitária pediu aos seguidores que compartilhassem a gravação em tom de urgência: “Gente, eu estou gravando esse vídeo aqui, é um assunto sério. Eu peço que vocês compartilhem esse vídeo, tá? Uma conhecida minha acabou de me relatar aqui que estava na Renner do Park Shopping, ela e os dois filhos (…). A filha ficou na fila e o filho ficou sentadinho do lado numa cadeirinha, mexendo no celular. De repente, uma senhora começou a gritar: ‘Pelo amor de Deus! Vão roubar esse menino!’”
Informação falsa
Renata seguiu o relato afirmando que um homem de blusa vermelha estaria chamando a criança para fora do estabelecimento e que o suspeito teria “desaparecido” em seguida. Na gravação, a mulher ainda afirmava falsamente que o próprio delegado da área teria admitido a existência de uma rede criminosa em ação,
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do Metrópoles
“Ela chamou a polícia, fez boletim de ocorrência, e o delegado falou que isso tá acontecendo muito aqui em Brasília (…). Fica esse alerta para tomar bastante cuidado, porque é uma quadrilha que tem aqui de roubo de crianças para tráfico infantil. Ele falou que o Parque da Cidade tem muita ocorrência.”
Procurado pela reportagem, o delegado-chefe da 3ª DP, Victor Dan, desmentiu integralmente todas as declarações e alertou sobre os riscos da disseminação descontrolada de informações não checadas na internet. “Nada naquele vídeo é verdadeiro. São mensagens falsas, fake news que trazem prejuízo e medo a quem assiste”, afirmou.
Falso alarme
Com a comprovação de que as denúncias eram infundadas, os policiais confirmaram que a publicitária será indiciada por falsa comunicação de crime e responderá também por uma contravenção penal ligada à provocação de pânico desnecessário na população.
A conduta de espalhar boatos alarmistas e criar alarde sem fundamento está prevista no Artigo 41 da Lei de Contravenções Penais (Decreto-Lei nº 3.688/1941), conhecida popularmente como a infração de “falso alarme”. A PCDF reforça o pedido para que a população não repasse conteúdos sem verificação prévia junto aos órgãos oficiais de segurança.
A publicitária foi procurada pela coluna para se manifestar sobre o caso. Ela afirmou que todas as informações compartilhadas no vídeo tiveram origem no relato de uma colega de trabalho, que afirmou ter vivenciado a situação com seu filho.
“Essa colega também me informou que havia registrado uma ocorrência policial e relatou o que teria ouvido durante o atendimento na delegacia. Como não presenciei os acontecimentos, entendo que ela é a pessoa mais indicada para esclarecer diretamente os detalhes do episódio. Da minha parte, continuo à disposição das autoridades”, disse.



