Rafael quer fim da escala 6×1, apesar da pressão do setor produtivo


Rafael Brito defende redução da jornada de trabalho no Brasil. Assessoria

O deputado federal Rafael Brito (MDB) vai votar a favor da proposta que reduz a jornada de trabalho e acaba com a escala 6×1 no Brasil. A matéria deve avançar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, mesmo sob pressão contrária de entidades do setor produtivo. Ontem, a oposição pediu vistas, adiando a votação na CCJ.

Brito, mesmo ciente da reação de empresários alagoanos que são contra a medida, mantém o voto favorável.

“Essa é uma discussão que precisa acontecer com responsabilidade e olhando para a realidade dos trabalhadores. A jornada 5×2, com 40 horas semanais, é um modelo mais equilibrado e já mostrou que pode ser melhor para todos. Nesse modelo, a qualidade de vida melhora e a produtividade aumenta”, afirmou.

O deputado defende dois dias de descanso semanal e afirma que a proposta trata de qualidade de vida. “Garantir tempo para descansar, cuidar da família e da saúde também é parte de uma vida digna”, disse.

A posição coloca o parlamentar em rota de colisão com entidades empresariais de Alagoas. E nota, os representantes do setor se colocam contra a redução da jornada de trabalho.

Nota do setor produtivo

Em manifesto, a Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA) e outras entidades alertam para os efeitos econômicos da medida.

“As propostas em discussão no Congresso Nacional que tratam da redução da jornada de trabalho geram preocupação. A mudança pode elevar o custo do trabalho, pressionar preços e afetar a competitividade das empresas”, diz o documento.

O texto também aponta risco para o emprego.

“A elevação estrutural do custo da hora trabalhada tende a pressionar micro e pequenas empresas, reduzir investimentos e ampliar riscos de informalidade”, afirmam as entidades.

Impacto estimado

Segundo levantamento citado pelo setor produtivo, o impacto pode chegar a R$ 1,93 bilhão por ano em Alagoas, com aumento de até 6,3% nas despesas com pessoal.

Os setores mais afetados seriam construção civil, agropecuária, comércio e indústria — todos intensivos em mão de obra.



Fonte: Gazetaweb