MONOWI
Solitária Elsie Eiler também é prefeita e administra um bar em Monowi (Nebraska, EUA)
Monowi está a uma morte da extinção. Aos poucos, a cidade no Nebraska vai sendo apagada do mapa. Ela só existe ainda por causa de uma mulher. Aos 93 anos, Elsie Eiler é a única moradora de Monowi.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!
Na verdade, ela é mais que isso. Elsie é prefeita, secretária e tesoureira, administrando, na prática, uma prefeitura na qual todos os cargos oficiais remetem à mesma pessoa. A idosa ainda administra um bar, que, pela peculiaridade de Monowi, virou atração turística.
Leia também
“Estou feliz aqui. Cresci aqui, estou acostumado com isso e sei o que quero. Só é difícil mudar depois de tantos anos”, disse ela à BBC.
Elsie e Rudy Eiler se casaram em 1954, quando a cidade já estava encolhendo. Eles tiveram dois filhos. Em 1971, eles assumiram o controle da Monowi Tavern, e o estabelecimento modesto tornou-se um ponto de encontro para agricultores e viajantes que passavam pela região.
Por volta de 1990, Monowi contava com apenas seis habitantes. Dez anos depois, restavam apenas dois. Elsie e Rudy formavam, sozinhos, todo o município.
Mas, em janeiro de 2004, a população foi reduzida à metade quando Rudy faleceu, vítima de câncer de pulmão. Os filhos partiram. Elsie, então virou Monowi.
Todos os anos de eleições, ela afixa um aviso no único estabelecimento comercial de Monowi — o seu bar — anunciando as eleições para a prefeitura, e, em seguida, vota em si mesma.
Sem rivais políticos que ameacem o seu “reinado”, Elsie é a única a votar durante o pleito, garantindo a impressionante marca de 100% dos votos, sem precisar sequer bater a uma única porta. Um fenômeno só comparado à performance de Saddam Hussein no Iraque.
Aninhado em meio às vastas terras agrícolas das Grandes Planícies de Nebraska, Monowi é o único município legalmente constituído nos Estados Unidos reconhecido por ter uma população de apenas uma pessoa. Essa característica peculiar transformou Elsie em uma improvável celebridade internacional, atraindo viajantes de todo o mundo para um lugar que, de outra forma, teria caído no esquecimento total.
O declínio de Monowi é bem visível e parte do seu “charme”: edifícios abandonados — que um dia foram o coração da vida no vilarejo — encontram-se em processo de deterioração, e o que restou de antigas residências permanece exposto ao clima implacável de Nebraska.
Um silo de grãos desativado ainda se ergue sobre o povoado. Sua estrutura, castigada pelo tempo, serve como lembrete da atividade agrícola que, outrora, sustentou a comunidade. A revolução agrícola que transformou a zona rural dos EUA nas décadas seguintes à Segunda Guerra Mundial trouxe maior eficiência ao campo, mas também reduziu a necessidade de mão de obra que, outrora, sustentava as pequenas comunidades. Foi o que aconteceu com Monowi, fundada em 1902, quando a chegada da ferrovia trouxe uma nova dinâmica à remota zona rural de Nebraska, oferecendo a famílias de agricultores a perspectiva de construir um futuro na fronteira americana. Nas primeiras décadas do século XX, o vilarejo tornou-se uma comunidade modesta, porém funcional — abrigando 150 pessoas —, com mercearias, um restaurante e até mesmo uma cadeia.
O nome, acredita-se, vem de um termo indígena associado a flores. O plural, entretanto, reduziu-se a Elsie, a única flor que dá a Monowi uma razão de existir.
“O bar é a cidade, e eu sou a cidade. Estamos todos tão interligados que é impossível imaginar uma coisa sem a outra. Aqui é o meu lar. Todos os meus amigos estão por perto. Por que eu iria querer ir embora?”, declarou ela ao “New York Times”.


